domingo, 24 de março de 2019

A MALDIÇÃO DAS LÂMINAS DO SAMURAI MURAMASA




Na obra de NitobeInazo, de 1899, é descrito o caminho do samurai, Bushido, a Alma do Japão , a sua espada é apelidada de "Alma do Samurai". Como as espadas eram tão reverenciadas, o trabalho do ferreiro  tornou-se uma tarefa imensamente importante. No capítulo XIII da obra de Nitobe, o escritor fala sobre os ferreiros da seguinte maneira: “O ferreiro não era um mero artesão, mas um artista inspirado e a sua ferraria, um santuário. Diariamente ele começava o seu ofício com uma oração, e com a frase:  " entrego a minha  alma e espírito na forja e no temperamento do aço". Cada balanço do trenó, cada mergulho na água, cada fricção no rebolo, era um ato religioso de pouca importância ”. Alguns dos antigos ferreiros do Japão tornaram-se tão famosos quanto os próprios samurais. Um dos mais célebres ferreiros japoneses foi Muramasa Sengo. 
Muramasa Sengo era um ferreiro que viveu durante o período Muramachi (entre os séculos XIV e XVI). Nalgumas lendas, Muramasa é retratado como um discípulo de Masamune, embora isso seja historicamente impossível, já que Masamune viveu vários séculos antes do seu suposto estudante. Muramasa foi descrito como sendo completamente louco e propenso a episódios de violência. Acreditava-se, portanto, que essas qualidades destrutivas foram passadas pelo mestre ferreiro nas lâminas que ele forjou. As lâminas de então 'possuem' seus detentores, transformando-os em insanos e mortais guerreiros, assim como o próprio Muramasa.
Registos  governamentais da história e design de praticamente todas as antigas espadas no Japão.
As lâminas de Muramasa são frequentemente contrastadas com as de Masamune. Numa lenda, Muramasa, que é dito ser um discípulo de Masamune, desafia seu mestre para uma competição de fabricação de espadas. Isso era para determinar quem era o maior ferreiro do país. Depois dos dois espadachins completaram as suas espadas,  prepararam-se para testar as armas. O concurso foi assim: a lâmina deveria ser suspensa num pequeno riacho, com a borda afiada voltada para a corrente. A lâmina de Muramasa cortou tudo o que passou, incluindo os peixes, folhas e até o ar. Em contraste, a lâmina de Masamune não conseguiu cortar nada. Apesar disso, Masamune foi declarado vencedor, pois a lâmina de Muramasa estava com sede de sangue e cortava indiscriminadamente, enquanto a de Masamune não cortava e matava desnecessariamente.
 
Uma lâmina de Katana feita por Muramasa no século XVI, no Museu Nacional de Tóquio 
Apesar da má reputação em torno das lâminas de Murasama,  eram inegavelmente de alta qualidade e muito populares no Japão. Isto é evidente no fato de que a sua escola de fabricação de espadas foi passada para os seus alunos e continuou nos dois séculos seguintes. Foi durante o reinado de TogugawaIeyasu, o primeiro shogun do período Edo, que as lâminas de Muramasa caíram em desuso. O pai do shogun, MatsudairaHirotada, e o avô, MatsudairaKiyoyasu, foram assassinados pelos seus empregados que estavam empunhando lâminas de Muramasa. O próprio shogun também foi cortado por uma (suposta) lâmina de Muramasa enquanto inspecionava o yari(um tipo japonês de lança) de um de seus generais. 
 
Lâmina de espada, Japão do século XIV, assinada Muramasa.
Essas coincidências deram origem à lenda de que as lâminas de Muramasa tinham o poder de matar membros da família Tokugawa. Consequentemente, o shogun decidiu proibir a propriedade das lâminas de Muramasa. Muitas lâminas foram derretidas, embora algumas estivessem escondidas. A proibição foi levada a sério pelo shogun, e os que  mantiveram as lâminas de Muramasa foram severamente punidos. O caso mais notável foi o de Takanak Ume, o magistrado de Nagasaki. Em 1634, descobriu-se que o magistrado tinha acumulado 24 lâminas de Muramasa e, portanto, foi ordenado a cometer seppuku (ritual de suicídio por desmontagem).Apesar de tais punições severas, houve aqueles que continuaram a manter as lâminas de Muramasa, e até mesmo as marcas nessas lâminas mudaram de forma a evitar a detecção das autoridades.  Além disso, numerosas falsificações foram feitas ao longo do ano, tornando assim bastante difícil hoje identificar as autênticas lâminas de Muramasa 
 
Segundo a lenda, as lâminas de Muramasa tinham o poder de matar membros da família Tokugawa. Foto: TokugawaYoshinobu do clã Tokugawa organizando defesas no Palácio Imperial em 1864.
Como um símbolo das habilidades superiores de fabricação de espadas dos japoneses, as lâminas de Muramasa também foram incorporadas à cultura popular de hoje. Referências a este ícone podem ser encontradas em várias ilustrações de banda desenhada e em muitos filmes.
Arte promocional para o jogo de Playstation 'Muramasa: TheDemonBlade



segunda-feira, 18 de março de 2019

INSTRUMENTOS MUSICAIS JAPONESES


Há  muitos instrumentos musicais tipicamente japoneses, muito pouco conhecidos no Ocidente. Sendo o Japão um país milenar, nada melhor que conhecer uma das mais interessantes faces de sua rica cultura. 
Instrumentos tipicamente japoneses e pouco conhecidos no Ocidente são vários, chegando facilmente a uma centena. Naturalmente, alguns deles têm um destaque maior, e são esses que iremos conhecer.


KOTO, também conhecido como “a cítara japonesa”. É um instrumento de 1,80m de comprimento e treze cordas, lembrando um pouco uma harpa, mas feito de uma placa de madeira que pode ser colocada em cima de mesas ou até no chão. É um dos instrumentos mais populares do Japão, aprendido normalmente na idade escolar.

Koto - Cítara japonesa
SHAMISEN é um instrumento que lembra um banjo ou alaúde, mas com o “braço” mais longo, e três cordas. Ficou conhecido fora do Japão por ser muito tocado por gueixas no passado. Hoje, o shamisen é particularmente comum em (Okinawaken, Província de Okinawa).
shamisen
TAIKO é um instrumento de percussão, talvez o mais conhecido fora do Japão. Lembra um grande tambor, mas com uma pele diferente dos tambores ocidentais. A origem deste instrumento é incerta, havendo muitas versões. O que se sabe é que ele foi muito usado nas guerras do Japão feudal.
Taiko
BIWA é outro instrumento de cordas que lembra um alaúde. Existe mais de um tipo de biwa, cada um com um número de cordas diferentes. Mas a versão “tradicional” tem quatro cordas. Uma curiosidade interessante é que, de acordo com o xintoísmo japonês, esse é o instrumento escolhido por Benten, a deusa da música.
Biwa
TONKORI é um instrumento típico da ilha de Hokkaidou, uma herança cultural dos povos ainu que habitam a região. É um instrumento com cinco cordas, que lembra um pouco koto, porém é bem mais curto.

Tonkori

SHAKUHACHI lembra uma flauta. É um instrumento de sopro feito de bambu, com cinco orifícios (um para o polegar, outros quatro para os demais dedos). Até onde se sabe, chegou ao Japão trazido pelos chineses. Hoje em dia, é muito usado em cerimonias do Zen Budismo.
Shakuhachi
Naturalmente, há muitos outros que mereceriam destaque. Mas estes servem para despertar a sua curiosidade e ilustrar a imensa riqueza da música tradicional japonesa. 

Horagai - Grandes búzios utilizadas como trombetas há séculos no Japão

segunda-feira, 11 de março de 2019

FILOSOFIA DOS SAMURAIS (2)


“Um guerreiro não deve demonstrar insegurança nas suas palavras, ainda que casualmente. Deve ter a certeza do que fala antes mesmo de fazê-lo. Até em assuntos triviais, é possível ver o que carrega no seu coração.”

Yamamoto Tsunetomo 


Dizem que uma pessoa não deve hesitar nem por um instante em se corrigir quando comete um erro. Ao fazer isso, seus erros desaparecerão rapidamente. Mas, se tentar ocultá-lo, o erro se tornará ainda mais indigno e doloroso.
Yamamoto Tsunetomo


A coisa mais importante da sua vida é o objetivo que o persegue no presente momento. Toda a vida de um homem se apresenta como uma sucessão de momentos. Se conseguir entender isso, não existirá mais nada a ser feito, nada mais a almejar. Viva sendo fiel ao objetivo do momento.

Yamamoto Tsunetomo 


Uma alma sem respeito é uma morada em ruínas. Deve ser demolida para construir uma nova.

Sasaki Kojiro 


Perfeição é uma montanha impossível de escalar que deve ser escalada um pouco a cada dia.

Código Samurai


O samurai nasce para morrer. A morte, não é uma maldição a evitar, senão o fim natural de toda vida.

Código Samurai 


Para um autêntico samurai não existem as tonalidades cinzas no que se refere a honra e justiça, só existe o certo e o errado.

Código Samurai 


Tenha compaixão, ajude os seus companheiros em qualquer oportunidade. Se a oportunidade não surge, saia do seu caminho para encontrá-la.

Código Samurai 


Quando um samurai diz que fará algo, é como se já o tivesse feito. Nada nesta terra o deterá na realização do que disse que fará.

Código Samurai


Credo do Samurai
Eu não tenho pais, faço do céu e da terra os meus pais. Eu não tenho casa, faço do mundo a minha casa. Eu não tenho poder divino, faço da honestidade o meu poder divino. Eu não tenho pretensões, faço da minha disciplina a minha pretensão. Eu não tenho poderes mágicos, faço da personalidade os meus poderes mágicos. Eu não tenho vida ou morte, faço das duas uma, tenho vida e morte.


Eu não tenho visão, faço da luz do trovão a minha visão. Eu não tenho audição, faço da sensibilidade os meus ouvidos. Eu não tenho língua, faço da prontidão a minha língua.


Eu não tenho leis, faço da auto-defesa a minha lei. Eu não tenho estratégia, faço do direito de matar e do direito de salvar vidas a minha estratégia. Eu não tenho projetos, faço do apego às oportunidades os meus projetos. Eu não tenho princípios, faço da adaptação a todas as circunstâncias o meu princípio. Eu não tenho táticas, faço da escassez e da abundância a minha tática.



terça-feira, 5 de março de 2019

FILOSOFIA DOS SAMURAIS (1)


Para tranquilizar a mente, deve-se engolir a própria saliva. Esse é o segredo.
Yamamoto Tsunetomo


O estado de espírito  revela-se em seus sonhos. Devemos esforçar-nos para fazer dos sonhos nossos aliados.”
Yamamoto Tsunetomo


Seja fiel ao pensamento do momento e evite distrações. Em vez de se esforçar para dar conta de tudo, concentre-se apenas no que está a fazer. Procure privilegiar um pensamento de cada vez.”
Yamamoto Tsunetomo  


Quando enfrentamos calamidades ou situações difíceis, não é suficiente manter-nos calmos, mas sim enfrentá-las com coragem e satisfação.
”Yamamoto Tsunetomo  


Existem duas coisas que poderão manchar a conduta de um vassalo: riqueza e glória. Se alguem tiver uma vida de privações, ela não será corrompida.”
Yamamoto Tsunetomo   


O Caminho do Samurai é encontrado na morte. Entre ela ou qualquer outra coisa, não há dúvida: a escolha deve ser a morte.”
Yamamoto Tsunetomo   


Existe uma maneira de um samurai criar o filho. Desde a sua infância deve ser encorajado à bravura, e deve-se evitar assustá-lo ou provocá-lo com trivialidades. Se uma criança for afetada pela cobardia, isso permanecerá como uma cicatriz para toda a vida.”Yamamoto Tsunetomo  


Eu não tenho talentos, faço da minha imaginação meus talentos. Eu não tenho amigos, faço da minha mente minha única amiga. Eu não tenho inimigos, faço do descuido meu inimigo. Eu não tenho armadura, faço da benevolência minha armadura. Eu não tenho castelo, faço do caráter meu castelo. Eu não tenho espada, faço da perseverança minha espada.



sábado, 2 de março de 2019

AS SUPERSTIÇÕES JAPONESAS



O Japão é um país cheio de superstições, existem milhares. Neste texto veremos algumas das superstições japonesas, algumas até mesmo bizarras e sem nenhum sentido para nós. As crenças e superstições japonesas estão bem enraizadas na história e cultura do Japão.
Existem uma quantidade de números, objetos, palavras e ações que podem trazer sorte ou azar. Tudo isso porque o Japão é influenciado pelo budismo e o xintoísmo que acredita em milhares de deuses e criaturas sobrenaturais.

Números de azar no Japão

Não podemos falar de superstições japonesas sem citar os números que os japoneses temem. Até mesmo os elevadores evitam colocar o número do azar .
  • Quatro – 4 – A sua pronúncia SHI pode soar com a palavra morte () que também é shi.
  • Nove – 9 – A pronuncia KU pode soar como sofrimento, dor () e ainda com algo obscuro (preto – kuro).
  • 43 – A pronúncia shisan é semelhante ao nascimento dos mortos shizan (死産).
  • Outros números sugestivos são 42 que indica até á morte (死にshini). 49 que parece com atropelar (敷くshiku).
  • Nos dias 1 e 15 do calendário lunar, não se devem ter relações sexuais.
  • Dizem que nas fotos de 3 pessoas, a que aparece no meio morre primeiro.
  • Se alguém soluçar 100 vezes seguidas morre.

Superstições de azar

Furar o comer com hashi (pauzinhos) ou deixá-los em pé, dá azar.

Dormir com a cabeça para o norte, atrai a morte, porque os mortos são enterrados com a cabeça para o norte.

Cortar as unhas de noite, dizem que também atrai a morte.

Assobiar e tocar flautas à noite, atrai cobras e fantasmas.

Passar por Corvos e Gatos pretos são sinal de mal agouro.

Nunca se passa o comer do seu hashi para o prato de outra pessoa e nem se bate com o hashi no prato. Isso chama funerais.

Nunca se escreve o nome com tinta vermelha, sugere que a vida será cortada em breve.

Não se deixa arroz no prato depois de acabar a refeição, pode ficar cego.

Ver uma aranha de manhã dá sorte, e à noite dá azar.

Se passar um carro fúnebre perto, esconda o polegar, caso contrário algo de mau pode acontecer aos pais.

Não se deve tirar fotografias aos túmulos, atrairá má sorte, e estará a perturbar o repouso dos mortos.

Se o geta (calçado de madeira japonês) se partir ao meio é sinal de má sorte.

Espelho rouba a alma, não deve ser colocado nenhum espelho na direção da cama.

Dá azar responder a uma pessoa que fala enquanto dorme.

Estrear sapatos novos à noite dà má sorte.

Não pisar nas bordas do tatame, da azar. Estique mais o pé e evite este local!

Se um mendigo bater á sua porta, deve salgar a entrada da  porta, caso contrário, terá má sorte como infortúnios financeiros no lar.




Superstições benéficas

Comer alga marinha faz aumentar o cabelo.

Beber leite incha o peito.

Quem ouve música clássica em criança será um génio.

Um papel ou madeira oculto na roupa, traz sorte, se for mantido próximo ao
corpo.

Um bom presságio é um passarinho defecar na cabeça.

Tipo sanguíneo identifica as qualidades da pessoa.

Se os talos ou as folhas de chá flutuarem verticalmente, terá sorte, porém é algo difícil de acontecer.

Se encontrar uma pele de cobra durante um passeio no campo, guarde .Traz sorte e fortuna.

O 7 é um número de sorte sagrado para os japoneses, assim como muitas outras culturas.

Se comer mochi (bolinhos de massa de arroz) ou osechi ryori (prato especial de ano novo) no ano novo, terá longevidade.

Quando for a um funeral, deite sal sobre no ombro, pois isto afasta a morte e os espíritos para longe de si.


sábado, 23 de fevereiro de 2019

O TOYOHARI – TERAPIA JAPONESA



O Toyohari é uma terapia japonesa, que se baseia nos princípios da acupuntura chinesa. Esta técnica envolve a utilização de agulhas de ouro, prata ou aço que se colocam sobre os pontos de energia (KI).
A acupuntura foi introduzida, originalmente, da China para o Japão no século VI A.C. Desde o início do século XI, o isolamento do Japão permitiu que a a técnica japonesa desenvolvesse a sua própria marca. Depois, no século XVIII os vários estilos da acupuntura tradicional japonesa foram activamente suprimidas a favor da acupuntura científica.

Embora o Toyohari, tal como a acupuntura, trate os mais diversos problemas, uma das vertentes são os relacionados com a dor, nomeadamente, dores e espasmos musculares, problemas de coluna, ciática, artroses e dores articulares, tendinites, enxaqueca, dores de cabeça,  dores de dentes, entre outras.
O objectivo no trabalho do Toyoharista é aliviar o sofrimento das pessoas. Segundo os japoneses, quando sentimos dor, é porque o nosso desequilíbrio energético já chegou a níveis elevados, podendo trazer com ele sofrimento emocional e psicológico. 


O toyohari faz parte das medicinas que não separam corpo, mente e emoção. Uma dor deve ser tratada e não só eliminada pois temos que entender a causa, para não errar no tipo de tratamento. Por exemplo, as pessoas que têm dores de dentes que não têm explicação precisa, mas se a dor é persistente, o tratamento pode ser uma extracção que não é necessária, mas que é a única solução proposta pela medicina convencional, se a dor não responder aos medicamentos. Tratamentos e cirurgias são por vezes utilizados desnecessariamente, pois as pessoas querem livrar-se do sofrimento, recorrendo a este tipo de tratamentos. Por vezes os resultados não são duradouros, pois as causas não são eliminadas.
Fazer uma sessão de Toyohari é mais do que uma consulta. Um doente pode chegar ao consultorio perturbado por uma dor ou queixa física, mas também pode estar com stress ou ansiedade. O Toyohari, que é um sistema de reequilíbrio de energia, vai, não só aliviar a dor, mas também vai fazer com que a pessoa relaxe e se sinta de novo equilibrada.


Uns dos fenómenos muito interessantes no Toyohari são os seus efeitos ao nível da beleza. Os clientes saem com uma melhor aparência depois de uma sessão de Toyohari. Isto porque esta técnica estimula as energias, desbloqueia e relaxa.
Para além disso, o Toyohari tem óptimos resultados em tratamentos de doenças de pele, psoriase, eczema, acne mas não só, também trata da pele seca e flácida, em qualquer parte do corpo. Trata igualmente do cabelo seco e cicatrizes (mesmo as mais antigas) deixando-as quase imperceptíveis!