sábado, 29 de setembro de 2018

RESPONSABILIDADES NAS ARTES MARCIAIS



Responsabilidade é a capacidade de assumir com as consequências das suas atitudes e com as atitudes dos outros ao seu redor. É a capacidade de não fugir ás obrigações e de cumprir da melhor maneira o que lhe foi pedido. Dentro de um dojo marcial o conceito de responsabilidade é transmitido desde os primeiros dias de treino, pois está diretamente ligada às atitudes dos praticantes em relação às tradições do dojo e qual é o tamanho da importância e responsabilidade dele ao decidir fazer parte deste.


Ser responsável é ter ou desenvolver a capacidade de realizar o que nos é proposto dentro das condições que nos são propostas. Um é responsável pelo outro, um deve contribuir para o crescimento e amadurecimento do outro, o sensei é o responsável pelo dojo e, os senpai são responsáveis por ajudar o sensei a organizar o dojo e os demais alunos, ajudando-o a ensinar e direcionar todos os que ali estão.


As responsabilidades de cada um estão intimamente ligadas à posição que ocupa dentro do dojo, a cor do cinto dentro do budo kaiso (hierarquia), indica qual a responsabilidade assumida com seu sensei e com o dojo. Ao conversar com os karatecas principiantes sempre procuro lembrá-los de seu compromisso com o nosso dojo. Todos somos elos de uma corrente e quanto mais unidos e cientes do que temos a fazer, mais forte será o nosso convívio. Como praticantes de artes marciais temos a responsabilidade de manter vivos os ensinamentos dos sensei e mestres que vieram antes de nós!


quarta-feira, 19 de setembro de 2018

O KARATE E A MÚSICA – UMA RELAÇÃO INTERESSANTE


Ao observar e praticar repetidas vezes os movimentos variados dos katas, verifiquei que todos são harmoniosos, independentemente da sua velocidade de execução, da sua potência e finalidade.
É importante ressalvar que este texto não tem a menor pretensão de teorizar sobre musica, mas sim mencionar as semelhanças entre as duas Artes, a da musica e o karate.


Os katas no karate e a harmonia musical?
Os katas consistem basicamente em várias séries de movimentos, por outro lado a harmonia na música, consiste numa série de acordes e ritmos, que devem ser aprendidos de forma a acompanhar e fazer suporte à melodia.
Se por outro lado sem o conhecimento dos katas não se aprende karate, da mesma maneira sem o conhecimento das harmonias não se pode aprender música.

Quais seriam as aplicações e vantagens dos movimentos dos katas?
Com a cadencia e a ordem de cada um deles e com a continuidade dos treinos, o karateca passa a dispor de várias combinações de movimentos, que podem ser utilizados em diversas oportunidades.
Através da prática, experiência e mentalização, quando esses movimentos são totalmente assimilados, passam a fazer parte de uma cadeia harmoniosa de técnicas e movimentos. Aí podemos verificar que são muitas as semelhanças entre o karate e a musica.
A musica divide-se em melodia, harmonia e ritmo. É a arte de combinar sons de uma maneira agradável. Na musica os alunos precisam de muita técnica e ensaios exaustivos. Se a melodia em cada canção é variada, no karate as competições também são variadas. Os karatecas dedicam horas de treino, com exercícios em que têm de ter muita concentração para conseguirem os movimentos de forma correta.
A partir de inúmeras situações as semelhanças aumentam em todos os sentidos.
Assim como as notas têm cada uma um nome numa pauta musical, as sequências e os próprios movimentos num kata têm um nome específico.
Os katas são no karate como que equivalentes ás sequências de acordes na armonia musical. Ambos servem para desenvolver as técnicas do musico e do karateca, respetivamente, no musico o emprego de centenas de acordes musicais nas suas diferentes tonalidades, e nos karatecas nos variados movimentos dos katas.

Na musica os ensaios servem para fornecer suporte á melodia e combinar com o ritmo. No karate os movimentos do kata podem ser utilizados para defesas ou ataques de acordo com as necessidades ou oportunidades.
Quanto mais um musico possuir técnica e exercícios constantes, melhores ficam as suas execuções musicais. Para o karate é essencial a técnica e o conhecimento dos movimentos, sequências e suas finalidades.
Muitos treinos de karate podem ser feitos com musica, com o intuito de adquirir mais ritmo nos movimentos no treino de Kion ou katas, porque todos os movimentos devem ser feitos no ritmo certo, no tempo certo, nada melhor do que a musica para nos dar a noção correta dos ritmos e tempos.



domingo, 16 de setembro de 2018

HISTÓRIAS E LENDAS DOS VELHOS MONGES GUERREIROS (4)




O tempo que os praticantes de Artes Marciais necessitam para atingir os seus objectivos é proporcional à grandeza dos mesmos.
O tempo é vida. O tempo não espera por ninguém. O tempo é irrecuperável, por isso, há que saber gerir esse bem precioso e limitado. Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje, é um ditado bem antigo que poderá traduzir o esforço permanente do indivíduo que pretende aproveitar ao máximo o seu tempo de vida, na tentativa da perfeição, quer como ser humano, quer como praticante de Artes Marciais.

Para entender o valor do tempo:

Um ano - Pergunte a um estudante que não passou nos exames finais.
Um mês - Pergunte a uma mãe que teve um filho prematuro.
Uma semana - Pergunte ao editor de uma revista semanal.
Uma hora - Pergunte aos apaixonados que estão à espera do momento do encontro.
Um minuto - Pergunte a uma pessoa que perdeu o comboio, autocarro ou avião.
Um segundo - Pergunte a uma pessoa que sobreviveu a um acidente.
Um milésimo de segundo - Pergunte a uma pessoa que ganhou uma medalha de prata nas Olimpíadas.


Saber gerir o tempo:

Um consultor, especialista em Gestão do Tempo, quis surpreender a assistência numa conferência: Tirou debaixo da mesa um frasco grande de boca larga. Colocou-o em cima da mesa, junto a uma bandeja com pedras do tamanho de um punho e perguntou: Quantas pedras pensam que cabem neste frasco?
Depois dos assistentes fazerem as suas conjecturas, começou a meter pedras até que encheu o frasco. Depois perguntou: Está cheio? Toda a gente olhou para o frasco e afirmou que sim. Então, ele tirou debaixo da mesa um saco com gravilha. Meteu parte da gravilha dentro do frasco e agitou-o. As pedrinhas penetraram pelos espaços que deixavam as pedras grandes. O consultor sorriu com ironia e repetiu:
Está cheio? Desta vez os ouvintes duvidaram: Talvez não.
Muito bem! E pousou na mesa um saco com areia que começou a despejar no frasco. A areia filtrava-se nos pequenos buracos deixados pelas pedras e pela gravilha. Está cheio? - perguntou de novo.
Não! - exclamaram os assistentes.
Bem dito, e pegou numa jarra de água, que começou a verter para dentro do frasco. O frasco absorvia a água sem transbordar.
Bom, o que acabámos de demonstrar? - Perguntou. Um ouvinte respondeu: Que não importa o quão cheia está a nossa agenda, se quisermos, sempre conseguimos fazer com que caibam mais coisas.

Não! - concluiu o especialista: o que esta lição nos ensina é que, se não colocarmos as pedras grandes primeiro, nunca poderemos colocá-las depois. Quais são as grandes pedras nas nossas vidas? Os nossos filhos, a pessoa amada, os amigos, os nossos sonhos, a nossa saúde. Lembrem-se: ponham-nos sempre primeiro. O resto encontrará o seu lugar!




sábado, 1 de setembro de 2018

A ESPADA ODACHI



O Norimitsu odachi é uma enorme espada japonesa. É tão grande, que se diz ter sido empunhada por um gigante. Além do conhecimento básico de ter sido fabricada no século XV DC, mede 3,77 metros  de comprimento e pesa  14,5 kg . Esta impressionante espada está envolta em mistério.

Os japoneses são famosos pela sua tecnologia de fabricação de espadas. Muitas variedades de lâminas foram produzidas pelos ferreiros do Japão, mas, sem dúvida, a que a maioria das pessoas hoje conhece é a katana, devido à sua associação com o famoso samurai. No entanto, existem também outros tipos de espadas menos conhecidas que foram produzidos ao longo dos séculos no Japão, um dos quais é o odachi.
odachi (escrito como 大太刀 em kanji, e traduzido como 'grande espada'), às vezes referido como nodachi (escrito em kanji como 野太刀, e traduzido como 'espada de campo') é um tipo de espada japonesa com uma lâmina longa . A lâmina do odachi é curva e tipicamente tem um comprimento de cerca de 90/100 cm . Alguns odachi são conhecidos por terem lâminas de 2 metros de comprimento.


Um odachi 

odachi tem a reputação de ter sido uma das armas escolhidas no campo de batalha durante o período Nanboku-chō, que durou uma grande parte do século XIV DC Durante este período, os odachis que foram produzidos são registrados como tendo mais de um metro de comprimento. Esta arma, no entanto, caiu em desgraça após um curto período de tempo, a principal razão é que não era uma arma muito prática para usar em batalhas. Ainda assim, o odachi continuou a ser usado por guerreiros e seu uso só morreu em 1615, após o OsakaNatsu no Jin (também conhecido como o Cerco de Osaka).


Esta espada longa Nodachi com mais de 1,5 metro  de comprimento ainda é pequena em comparação com a NorimitsuOdachi

Existem várias maneiras pelas quais o odachi pode ter sido usado no campo de batalha. O mais direto deles é que eram simplesmente usados ​​por soldados de infantaria. Isso pode ser encontrado em obras literárias como o HeikeMonogatari (traduzido como "O Conto do Heike") e oTaiheiki (traduzido como "Crônica da Grande Paz"). Um soldado de infantaria empunhando um odachi poderia ter a espada pendurada nas costas, em vez de ao seu lado, devido ao seu tamanho excepcional. Isso, no entanto, tornou impossível para o guerreiro tirar a lâmina rapidamente.


Período Edo japonês, impressão em bloco de madeira de um samurai carregando uma nodachi (espada de campo) nas costas 

Alternativamente, o odachi pode ter sido apenas carregado à mão. Durante o período Muromachi (que durou do XIV até o século XVI dC), era comum um guerreiro carregar o odachi  e ter um desenhador para o ajudar a desenhar a arma para ele. É possível, também,que o odachi tenha sido empunhado por guerreiros que lutaram a cavalo.

Também foi sugerido que, como o odachi era uma arma pesada para ser usada, ela não era realmente usada como arma em combate. Em vez disso, poderia ter sido usado como uma espécie de amuleto para um exército, semelhante à maneira como uma bandeira teria sido empregada durante uma batalha. Além disso, foi apontado que o odachi assumiu um papel mais ritualístico.Durante o período Edo, por exemplo, era popular que o odachi fosse usado durante as cerimônias.Além disso, odachis eram às vezes colocados em santuários xintoístas como uma oferenda aos deuses. O odachi também pode ter servido como uma demonstração das habilidades de um ferreiro, já que não era uma lâmina fácil de ser fabricada.


Uma gravura japonesa de Hiyoshimaru que encontra HachisukaKoroku na ponte de Yahabi.Recortado e editado para mostrar o ōdachi pendurado nas costas 
O NorimitsuOdachi era prática ou ornamental?

Com relação ao NorimitsuOdachi, alguns historiadores dizem  que ele foi usado para fins práticos e, portanto, o seu proprietário deve ter sido um gigante. Uma explicação mais simples para essa espada excepcional é que ela foi usada para propósitos não combativos.
O fabrico de uma lâmina tão extraordinariamente  longa só seria possível nas mãos de um ferreiro altamente qualificado. Portanto, é plausível que o NorimitsuOdachi tenha sido concebido apenas para mostrar a habilidade do ferreiro. Além disso, a pessoa que encomendou o NorimitsuOdachi provavelmente teria sido muito rica, já que teria custado muito produzir tal objeto.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

GUEIXA (1)


Muito se fala e se discute, principalmente no ocidente, sobre a figura e o papel da gueixa na sociedade japonesa. Na prática, poucos ocidentais, e mesmo japoneses, têm efetivamente contato com uma gueixa. Em público, elas só aparecem em poucas ocasiões, como no Jidai Matsuri (Festival das Eras), e na temporada de danças tradicionais Kamogawa Odori (Danças do Rio Kamo) que ocorrem em outubro, em Kyoto. Fora tais ocasiões, poucos turistas conseguem vê-las andando pelas ruas, nas raras ocasiões em que saem para ter aulas de dança, shamisen (cítara de três cordas tradicional) ou ikebana (arranjo floral), ou a caminho de um restaurante para entreter algum empresário ansioso em impressionar os seus convidados. Ser servido ou entretido por uma gueixa, mesmo entre os japoneses, é privilégio de poucos.



O fascínio pelo assunto no ocidente começou através de artigos de jornais e da arte, do teatro e da literatura a partir da segunda metade do século XIX, quando o Japão passou a abrir os seus portos às potências ocidentais, terminando um isolamento comercial e cultural que durou mais de 200 anos. As gravuras ukiyo-e (retratos do mundo flutante) tornaram-se bastante populares e apreciadas na Europa, em especial por artistas plásticos franceses.  Vendidas em folhas avulsas ou até encadernadas na forma de um livro, tais gravuras frequentemente retratavam gueixas, havendo até artistas que se especializaram em desenhá-las, como Kiyonaga e Utamaro, formando um “estilo” dentro do ukiyo-e, chamado de bijin-ga (desenho de mulher bela). Relatos de viajantes e correspondentes publicados em jornais de um Japão tão diferente e exótico eram lidos com grande curiosidade.


Em 1904, o compositor italiano Giacomo Puccini criou a ópera “Madame Butterfly”. Inspirada num caso verídico, a ópera conta a trágica história de uma gueixa, Cho-cho (“borboleta” em japonês), que se apaixona por Pinkerton, oficial americano em missão no Japão. Acreditando ser esposa de Pinkerton, ela tem um filho mestiço e passa a sofrer o preconceito dos japoneses. Ele é chamado de volta aos Estados Unidos, e acreditando nos democráticos valores com que o seu amado descrevia o ocidente, Cho-cho aguarda o seu regresso ao Japão na esperança de ir viver com ele e com o filho na América. Mas Pinkerton volta casado com uma americana e deixa Cho-cho, que acaba por se matar. Até hoje extremamente popular, “Madame Butterfly” não apenas tornou Cho-cho a gueixa ficcional mais famosa do mundo, como também serviu de inspiração para filmes e outra peça de sucesso 80 anos depois: o musical “Miss Saigon”, de Alain Boublil e Claude-Michel Schönberg.
 


A ficção e as diferenças culturais fizeram com que a idéia que o ocidente tem das gueixas seja distorcida, pouco correspondendo com a realidade. Muitos, principalmente os incultos, acham que uma gueixa nada mais é do que uma exótica prostituta de luxo – algo que choca os japoneses, que as consideram refinadas guardiãs das artes tradicionais. Para os japoneses, achar ou tratar uma gueixa como se ela fosse uma mera prostituta é uma atitude que revela não só falta de critério, mas de cultura de quem assim age. Na sociedade japonesa, a gueixa é objeto de admiração e respeito. Elas dão status aos lugares que vão e às pessoas com quem se relacionam , um status que é mais ligado à tradição que à moda.

Entender o que é, ou o que faz uma gueixa ser uma gueixa, é difícil para os que pouco conhecem o Japão, a história, a cultura e a sociedade do país. A existência da gueixa só pode ser compreendida no contexto japonês, assim como ela é produto do que o Japão foi e é.
O surgimento da gueixa tem muito a ver com a maneira pela qual a sociedade japonesa foi organizada durante o governo dos xóguns da família Tokugawa, também conhecido como a Era Edo (1603 – 1867). No século XVII, nas primeiras décadas do estabelecimento do xogunato, crescentes medidas de controle da vida civil foram tomadas objetivando não só estabilidade interna, mas a manutenção do clã Tokugawa no poder, o que deu à sociedade como um todo uma forma feudal, rígida e hierarquizada, de pouca mobilidade de uma classe a outra e fechada em si mesma. Influências externas, como o cristianismo, eram vistas como negativas e subversivas, de tal modo que em 1637 um édito do xogunato ordenou a proibição do comércio e da vinda de navios europeus (exceptuando os holandeses da Companhia das Índias, que eram tolerados por não misturar religião ao comércio, e que ficavam isolados em uma ilha perto de Nagasaki) e a expulsão dos estrangeiros, impondo um isolamento do Japão que se estenderia por dois séculos.

O controle do governo sobre a sociedade civil atingiu em especial as mulheres. Excetuando os papéis de mãe, esposa e dona de casa, não havia uma profissão que uma mulher pudesse exercer, que não fosse na condição de auxiliar do seu marido na agricultura, ou num comércio dirigido pelo esposo – trabalhos que eram considerados “obrigação” da mulher e que, por isso, não recebia uma remuneração específica. A falta de opções de profissões para as mulheres foi agravada em 1629, quando por lei o xógun tornou o teatro uma atividade proibida às mulheres. Impedidas de praticar atividades de entretenimento em público, os palcos foram rapidamente ocupados por homens travestidos, para substituir a presença feminina em cena. Não tendo um marido ou uma família que a sustentasse, restava à mulher apenas a prostituição como meio de subsistência.


A palavra geisha significa literalmente “pessoa da arte, artista”, e ela foi originalmente usada para designar comediantes e músicos que se apresentavam em banquetes e festas particulares no século XVII. Assim, as primeiras gueixas não foram mulheres, mas homens. Os otoko-geisha (artistas masculinos) eram especializados em entreter pequenas platéias em festas, dançando, cantando contando histórias e piadas. Como os palcos estavam proibidos às mulheres, as festas privadas tornaram-se os únicos lugares onde as mulheres podiam tocar música, dançar e cantar, e assim surgiram as onna-geisha (artistas femininas).

 Entretanto, aquela era uma época em que a atividade artística e prostituição se confundiam. Donos de pousadas e de casas de chá ofereciam as suas funcionárias, que de dia serviam ás mesas e limpavam o estabelecimento,  como prostitutas à noite, ao que se dava o sutil nome de “serviço de travesseiro”. Nem sempre se tratava de prostituição voluntária – patrões sem escrúpulos diziam às empregadas “agrade o cliente ou é despedida”. Originalmente o teatro kabuki era predominantemente feminino, porém muitas dançarinas de kabuki prostituíam-se e escândalos de samurais envolvidos com elas na capital foram a causa da proibição em 1629. Assim, a clientela dos banquetes não esperava menos das mulheres artistas. Embora durante muito tempo a atividade de gueixa confundiu-se com prostituição, a partir do século XVIII medidas que oficializaram e regulamentaram a prostituição acabaram distinguindo as prostitutas das gueixas.




Atualmente ser uma gueixa é mais do que uma mera profissão. É um estilo de vida que exige total e absoluta dedicação. É aceitar acima de tudo que será uma vida de servidão, que eventualmente terá grandes recompensas. Como tudo no Japão, ser gueixa é também um dom, um caminho a ser percorrido pelo resto da vida. Karyukai, “o mundo da flor e do salgueiro”, é o nome que se dá ao mundo das gueixas. Cada gueixa é como uma flor e um salgueiro: bela em seu próprio modo de ser como uma flor; graciosa, flexível mas forte como um salgueiro.



sábado, 11 de agosto de 2018

JOGOS OLÍMPICOS 2020 – TÓQUIO


Confirmou-se uma excelente notícia que há muito os amantes e praticantes de karate esperavam: a modalidade faz parte de um lote de cinco que vão integrar os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.
 O karate alcança agora o prestígio de uma modalidade olímpica com tudo o que isso acrescenta á modalidade, desde os apoios económicos até à própria motivação dos karatecas, que podem agora acrescentar mais um objetivo competitivo ao seu plano de trabalho.


Tóquio 2020 vai também contar com modalidades como escalada, skateboard (street e park), surf e basebol (masculino)/softbol (feminino). Yoshiro Mori, presidente dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, destacou que “a inclusão destas novas modalidades irá permitir a jovens atletas a oportunidade de uma vida, concretizando o sonho de competir nos Jogos Olímpicos, o maior palco desportivo do mundo”.

Esta é uma ideia reforçada pelo presidente do Comité Olímpico Intenacional (COI), Thomas Bach, que acredita que estas cinco novas modalidades são uma “combinação inovadora de modalidades bem estabelecidas e emergentes, voltadas para a juventude.”
Esta foi uma decisão tomada por unanimidade pelo COI num congresso que decorreu em Agosto passado, no Rio de Janeiro. Na ordem de trabalhos estavam ainda modalidades como o bowling, o squash ou o wushu, mas estas ficaram de fora.
As próximas olimpíadas de 2020 , terão assim mais dezoito eventos desportivos, estando oito medalhas de karate em jogo.




domingo, 5 de agosto de 2018

MIKIMOTO - REI DAS PEROLAS



Conhecido como “Rei das Pérolas”, Kokicho Mikimoto nasceu na cidade de Toba, atual província de Mie. A família possuía um pequeno negócio de udon (esparguete com caldo japonês)  sendo o filho mais velho,  estava destinado a continuar com a atividade dos seus antepassados. Foi apenas na casa dos 30 anos, já casado e com filhos, que Mikimoto se interessou por pérolas , mais especificamente pelas experiencias para a criação de pérolas cultivadas. Contemporâneos de Mikimoto, o biólogo Tokichi Nishikawa e o carpinteiro Tatsuhei Mise descobriram, um independente do outro, a base da cultura de pérolas, que era a inserção cirúrgica de um núcleo de metal dentro de uma ostra, para que ela forme uma pérola com a lenta liberação de uma secreção que cobrirá o núcleo. Nessa época (final do século XIX), embora se conhecesse a base do processo que forma a pérola dentro de uma ostra, não havia um processo que efetivamente permitisse o cultivo de pérolas de qualidade em quantidade.

Determinado a criar o processo de cultivo propriamente dito, Mikimoto fez experiencias durante anos, para encontrar desde o material mais adequado para o núcleo até o local mais adequado para as ostras ficarem no mar. Na base da tentativa e erro, ele usou de tudo: areia, barro, madeira, vidro e metais como núcleos. Perdeu anos de trabalho com a praga da maré vermelha, uma doença que mata ostras aos milhões. Endividado, Mikimoto chegou a ter de ir trabalhar em Hokkaido para ter dinheiro.
Tanta obstinação gerou frutos. Mikimoto acabou obtendo os melhores resultados com ostras enxertadas com núcleos feitos de conchas de mariscos americanos, e na costa de Toba encontrou o melhor local para o longo repouso das ostras, que precisam estar vivas para produzir pérolas. A primeira “colheita” de Mikimoto foi de cinco pérolas de boa qualidade para 800 mil ostras enxertadas, ainda assim uma média mais alta que a natural, de uma pérola para cada milhão de ostras.


Mikimoto abriu a sua empresa em 1893. Além de aperfeiçoar o cultivo de pérolas, ele investiu no ramo joalheiro, enviando funcionários à Europa para aprenderem a confecção e design de jóias. Em 1907, Mikimoto abriu a sua primeira joalheria em Tokyo, e em 1911, a primeira filial no exterior, em Londres. Hábil homem de marketing, Mikimoto promoveu as pérolas japonesas no exterior expondo grandes estruturas, como a réplica do Sino da Liberdade dos Estados Unidos, e representando personalidades com as suas criações, como o inventor Thomas Edson. Mikimoto cunhou a frase “meu sonho é colocar um colar de pérolas no pescoço de cada mulher deste mundo”.

Antes da Segunda Guerra, Mikimoto possuía filiais em Londres, Nova York, Los Angeles, Xangai, Bombaim e Paris. Com a Guerra, foi obrigado a fechar as filiais e nos duros tempos de reconstrução, mesmo com idade avançada,  voltou a enxertar e cuidar das ostras com as suas próprias mãos. Em 1954, Mikimoto faleceu aos 96 anos, tendo reerguido a indústria das pérolas que ele mesmo criou. A esposa, Ume Mikimoto, sua principal colaboradora e mãe dos seus cinco filhos, faleceu antes de ver o sucesso do marido. Além de trabalhar, cuidar da casa e da família, Ume participou ativamente do longo e complexo cultivo de ostras, fato este que Mikimoto fez questão de lembrar divulgar durante toda a sua vida.

Mikimoto é um divisor de águas no que se refere a pérolas. Com ele, criou-se efetivamente a pérola cultivada, o que tornou uma jóia rara acessível no mundo inteiro, embora as pérolas continuem a ser caras e belas. Atualmente, todas as jóias adornadas com pérolas são do tipo cultivado e embora haja hoje pérolas cultivadas de outras partes do mundo, Mikimoto tornou a pérola um sinonimo de Japão.