domingo, 13 de setembro de 2020

SIGNIFICADO DAS CORES NA CULTURA JAPONESA (1)

 

A sociedade japonesa detém tradições antigas que moldaram os japoneses durante milênios. No caso das cores, têm associações simbólicas que aparecem na arquitetura, nas artes, nos rituais japoneses e nas roupas. Atualmente, alguns dos significados tradicionais das cores, ainda se mantêm.

Há muitas cores que são consideradas auspiciosas pelos japoneses. Outras, consideram-nas importantes em casamentos e noutros rituais. Existem muitas regras intemporais associadas ás cores do quimono.

Vermelho – Aka ()

O vermelho é chamado “Aka”. A cor vermelha tem grande presença na cultura tradicional japonesa, desde a antiguidade até hoje. A referência mais imediata é a bandeira do país, chamada Hinomaru. O círculo vermelho representa o Sol. A combinação do vermelho e branco é tida como boa sorte.

As noivas vestem vermelho no dia do casamento, utilizam envelopes vermelhos com dinheiro, que são dados em ocasiões especiais como casamentos, nascimentos de bebés e celebrações de Ano Novo. A cor vermelha é considerada uma cor comemorativa.

Aproximadamente no século VI, o vermelho, já representava muito no quotidiano dos japoneses. Na época, a cor era relacionada com as doenças. Contudo, com o tempo, passou a ser associada como proteção contra doenças e maus espíritos.

O vermelho também está relacionado com a proteção das crianças. “Akachan”, palavra japonesa para bebê, é formada pelo ideograma da cor vermelha akai. No Japão, as estátuas de JizoBosatsu, são protetoras das grávidas, recém-nascidos, crianças que geralmente usam gorros, casacos ou cachecóis vermelhos.

 

Construções religiosas, tanto budistas como xintoístas, frequentemente utilizam o vermelho. Por exemplo, o torii (portal), quando de madeira, é pintado de vermelho, como sinal de proteção. No folclore japonês, figuras como o Tengu e o Daruma, são geralmente vermelhos.

Curiosamente, os personagens principais de muitos desenhos animados e séries, usam roupas ou robôs vermelhos, assim como a maioria dos logotipos de empresas japonesas.

Os japoneses usam muito o inkan, carimbo com o ideograma da família, que funciona como a assinatura em documentos. Tradicionalmente, utiliza-se uma almofada com tinta vermelha.

Durante as guerras civis japonesas (1467-1568), o vermelho era usado pelos samurais como símbolo de força e poder na batalha. Foi também usado como maquiagem no Japão muito antes do batom se tornar popular o cártamo era usado como base para os batons.

A louça de barro mais antiga do país (Jomon) e outros utensílios de madeira feitos na mesma época, são pintados com uma laca chamada ‘sekishitsu’. Há muitos tons tradicionais de vermelho no Japão: Shuiiro (vermelhão), akaneiro (vermelho mais intenso), enji (vermelho escuro), karakurenai (vermelho) e Hiiro (cor vemelha muito viva) estão entre eles.

Branco – Shiro ()

Branco tem sido uma cor auspiciosa no Japão durante a maior parte de sua história. Branco representa a pureza e a limpeza na sociedade japonesa tradicional, e é visto como uma cor abençoada. Por causa da sua natureza sagrada, o branco é a cor tradicional de eventos felizes como casamento e nascimento, além de aparecer na bandeira japonesa.

Vermelho e Branco Kouhaku/紅白

 A combinação de vermelho e branco (Kouhaku) é um símbolo para ocasiões especiais ou felizes. As longas cortinas com listras vermelhas e brancas são penduradas em receções de casamento. Mizuhiki, (cordas de papel cerimoniais) nas cores vermelho e branco são usados ​​como ornamentos para casamentos e outras ocasiões importantes.

“Kouhakumanjuu” (pares de bolos de arroz cozido no vapor recheado com feijão doce (azuki) muitas vezes são oferecidos como presentes em casamentos, formaturas e outros eventos comemorativos. O “Hinomaru bento” que se caracteriza por arroz branco com um umeboshi no centro, assemelhando-se à bandeira japonesa.

Preto – Kuro ()

 O preto é chamado kuro em japonês. Tradicionalmente, o preto representa mau agouro, morte, luto, destruição, medo e tristeza. Ornamentos em preto (kuro) e branco (Shiro) são geralmente usadas em funerais.

Por outro lado, o preto também tem sido tradicionalmente uma cor que representa a formalidade e a elegância e especialmente influenciada pela crescente popularidade das concepções ocidentais de eventos blacktie.

O uso mais antigo da cor preta na cultura japonesa foi a tatuagem. Nos tempos antigos, alguns pescadores tinham o hábito de tatuar grandes pássaros ou peixes para se proteger do mal. A partir do período Nara, as tatuagens seriam usadas para marcar criminosos como punição, e desde então as tatuagens, passaram a ser associadas a gângsteres japoneses.

O preto também era usado para maquilhagem desde os tempos antigos. Era usado para pintar sobrancelhas como em muitos outros países, mas o Japão também tinha um costume muito estranho chamado O-haguro onde especialmente as mulheres tingiam os dentes de preto.

O preto também é uma cor importante nas artes japonesas, como a caligrafia e especialmente através do sumi-e, onde o pintor usa apenas tinta preta para fazer belas pinturas.


SIGNIFICADO DAS CORES NA CULTURA JAPONESA (2)

 


Azul – Ao () ou Índigo Ai ()

 Azul também é uma cor que representa a pureza e a limpeza na cultura japonesa tradicional, em grande parte por causa das vastas extensões de água azul que rodeia as ilhas japonesas. Como tal, azul também representa frieza, calma e estabilidade.

Além disso, o azul é considerado uma cor feminina, e assim, em conjunto com a associação com a pureza e limpeza, o azul é muitas vezes uma opção de cor para roupas escolhida por mulheres jovens para mostrar a sua pureza. Como é uma cor tradicional japonesa, tons de azul são usados ​​em quimonos para representar as estações e expressões de moda.

Muitos trabalhadores de escritório usam diferentes tons de azul, enquanto os estudantes universitários vestem peças de roupa nesse tom para entrevistas de emprego.

Já o índigo, é considerado o “azul do Japão”, feito a partir de um corante natural retirado de folhas fermentadas da planta índigo misturada com água. Não era restrito a aristocratas como aconteceu com outras cores. No período Edo (1603 a 1868), todos os tipos de pessoas, comuns a samurais, costumavam usar roupas tingidas de índigo.

Quando os estrangeiros foram autorizados a entrar no Japão durante o período Meiji (1868 a 1912) ficaram surpresos por ver o azul índigo em toda parte do país! Quimono, roupa de cama, toalhas de mão, etc. O povo japonês costumava usá-lo para tudo.

Não foi apenas por causa da moda, mas as roupas tingidas de índigo também têm três benefícios: a fibra torna-se mais forte depois que o índigo morre; tem um efeito repelente de insetos e um efeito protetor UV. Hoje em dia essa cor ainda é muito usada no Japão.

Verde – Midori ()

 O verde é a cor da fertilidade e do crescimento na cultura tradicional japonesa. Como a cor da natureza, a palavra japonesa para verde, midori, também é a palavra usada para vegetação. Além disso, a cor verde representa energia, juventude e vitalidade.

O verde também pode representar a eternidade, uma vez que as árvores perenes nunca perdem as suas folhas ou param de crescer. Trazer a cor verde para a decoração da casa é visto como se estivéssemos adicionando a natureza para dentro dela.

Além disso, no Japão existe uma data especial, Midori-no-hi (Dia do Verde) no dia 4 de maio, durante o Golden Week. É o dia de celebrar a natureza. As famílias costumam passear ou participar de eventos destinados a esse dia em Parques e Jardins públicos.

O verde também é muito popular nas roupas, pois traz a sensação de frescura. Chá, especialmente matcha e chá verde são ambos de cor verde. Após a preparação as folhas de chá são verdes também. O chá é muito importante na cultura japonesa.

Roxo – Murasaki ()

 O roxo é chamado murasaki em japonês. Durante muito tempo no Japão, a generalidade das pessoas, estavam proibidas de usar roupas roxas. A cor roxa raramente era vista dada a dificuldade em a conseguir e por isso o seu preço era elevado. Cor obtida da shigusa que apresentava alguma dificuldade no seu cultivo.

Por este motivo, essa cor, era usada apenas por funcionários superiores e a família Imperial. Quando o budismo chegou ao Japão, os monges que tinham um alto nível de virtude também podiam usar roxo. Em espetáculos de Noh, roxo e branco são frequentemente usados ​​para os figurinos do imperador ou aristocracia japonesa.

No período Heian (794-1185), a cor púrpura passou a ser associada às glicínias. Foi neste período que os funcionários de Fujiwara implementaram um governo de regência. Fuji significa flores de glicínias em japonês, a cor roxa tornou-se sinônimo da classe dominante novamente.

 

Durante o período Edo (1603-1868), a família governante era Tokugawa e o seu símbolo continha a flor de malva, de modo que a púrpura permaneceu associada à nobreza por razões semelhantes.

Porém, o roxo ficou na moda durante o período Edo. As pessoas comuns eram proibidas de usar cores vivas, de modo que as roupas costumavam ter tons de castanho. Na época, os atores do kabuki eram líderes da moda. DanjuroIchikawa usava uma faixa roxa que se tornou na peça mais vendida e assim a cor tornou-se muito popular entre os cidadãos Edo.

 


sábado, 11 de julho de 2020

AS LESÕES DESPORTIVAS


O que a seguir se descreve não substitui o diagnóstico médico.
Fotos e quadros retirados de uma publicação da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do desporto


Quem sofre uma lesão, devido a um acidente ou de maneira casual, conforma-se rapidamente e só pretende regressar logo que possível á sua vida habitual. O desportista, e em especial o que toma parte em competições, não se satisfaz de modo algum com isso. Não só quer voltar a praticar, como também atingir novamente as suas antigas marcas ou readquirir a sua forma.
Assim, compreende-se que as lesões graves, apenas possam ser tratadas por quem esteja familiarizado com as características do respectivo desporto e que, além disso, domine de tal maneira o tratamento cirúrgico-ortopédico daquelas, que possam, de facto garantir o desejado objectivo terapêutico.



Como o desporto tem como finalidade aumentar a capacidade de rendimento de todo o corpo, e nunca reduzi-la, não só é importante curar convenientemente as lesões, mas também, e principalmente, evitar os acidentes no desporto.


Quem pratica um desporto deve, portanto, debruçar-se sobre tais problemas, com um médico experiente, para que o número de lesões não ultrapasse o mínimo inevitável.
A cura urgente é importante nas lesões desportivas, pelo que, seria aconselhável que todos os praticantes adquirissem os conhecimentos básicos sobre essa matéria.
A maioria dos atletas que se dedica à prática de um desporto durante alguns anos sofre, a dada altura, algum tipo de lesão muscular. Pode ser uma distensão, uma entorse, uma rotura de ligamentos, uma luxação ou qualquer outro tipo de lesão que os impede de dar o seu rendimento pleno.



Em muitos casos, a zona lesionada acaba por recuperar a sua força e mobilidade total apenas com alguns dias de repouso e, eventualmente, com a continuação da prática moderada do seu desporto preferido. Outras vezes, vemos o tempo a passar e a lesão em vez de melhorar, piora. É urgente, nessa altura, consultar um médico. Casos há em que é necessário de imediato a intervenção médica e depois a reabilitação física.
A bem da nossa saúde e da prática desportiva que elegemos, devemos mantermo-nos fisicamente e mentalmente aptos.




O princípio básico do treino e, consequentemente, da recuperação psicomotora pode ser estabelecida a partir destas três premissas:

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O aumento da força muscular, obtém-se por meio de algumas contracções musculares realizadas com uma resistência cada vez maior.
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O aumento do rendimento circulatório, obtém-se por meio de repetidas contracções musculares com pouca resistência.
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O aumento da destreza e da capacidade de reacção, obtêm-se por meio de exercícios precisos, que exijam o máximo de atenção por parte do aparelho sensorial.


Existem alguns métodos naturais que têm servido ao longo dos tempos, para reabilitar os desportistas e não só.
Exemplos de algumas terapias:

Fricções, Banhos, Duches, Efusões, Nascentes Terapêuticas, Hidroterapia, Ligaduras, Massagens, Ginásticas, Fototerapia, Roentgenterapia, Electroterapia, Diatermia e Galvanocáustica.
Nos estágios, de uma forma geral, em particular nos de Verão, estudos fisiológicos efectuados, dizem-nos que é necessário compensar a perda do glicogénio, devido ao esforço intenso e prolongado que advém das actividades normalmente desenvolvidas neste tipo de eventos.
Uma alimentação inadaptada às necessidades energéticas dos músculos, tem como certa a queda de reservas de glicogénio, sendo responsável pelo acidente, insónias, cansaço e pela fadiga.
É aconselhada uma alimentação com cerca de 55% de glúcidos, 30% de lípidos e 15% de proteínas, podendo aumentar os glúcidos até 70%, devendo estes ser consumidos antes do treino e logo no fim do mesmo.
Para o pequeno-almoço, são aconselhados cereais com leite e mel, carnes frias ou grelhadas e fruta madura. Para o almoço e jantar, ter em conta as percentagens atrás indicadas, devendo as refeições ser hiper hídricas, hipo calóricas e hipo protídicas.
Com este tipo de refeições, processa-se a hidratação do organismo, o que permite compensar as perdas hídricas, que são grandes em qualquer estágio, agravadas se este último decorrer no Verão, permitindo ainda a eliminação das toxinas acumuladas durante o esforço.


Possuir algumas noções sobre lesões traumáticas mais frequentes na prática de artes marciais, bem como a maneira de promover os primeiros tratamentos, até à chegada do médico, deveria ser uma das preocupações, não só dos professores como dos alunos. Destas salientamos:

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As contusões são devidas a traumatismos directos de maior ou menor violência, havendo um derrame hemático no seio dos tecidos e um estado reacional inflamatório que se processa nas horas seguintes.
Deve-se, portanto, fazer medicação analgésica e anti-inflamatória e, se for relativamente superficial, massagem com pomadas e até tratamentos de fisioterapia. Em casos de contusão muito violenta, deve manter-se imobilizada a zona durante alguns dias (fase aguda) até desaparecerem os sintomas em repouso. Só depois se deve começar a mobilizar lentamente, ao mesmo tempo que se farão as terapêuticas atrás apontadas, como complementos.
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As entorses são distensões ou rupturas de ligamentos articulares, podendo ir desde a simples ruptura de algumas fibras ligamentares até à ruptura total do ligamento, ficando a articulação com movimentos anormais.
Localmente, há uma dor à palpação e nas horas subsequentes estabelece-se um derrame no seio dos tecidos.

Se a ruptura dos ligamentos for total, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica ou, pelo menos, uma imobilização engessada adequada. Se for parcial, é suficiente a contenção local com uma ligadura adesiva ou elástica, fazendo-se acompanhar de medicação analgésica e anti-inflamatória, gelo local e inactividade durante cerca de 3 a 4 semanas.
As entorses mais vulgares são as do tornozelo, pé e punho, resultam de um movimento brusco para lá da amplitude normal da articulação.
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As distensões e rupturas musculares, sendo as primeiras mais frequentes, resultam de um esforço muscular em demasia, havendo ruptura parcelar de algumas fibras, podendo mesmo ocorrer a ruptura total ou à sua desinserção óssea. Este último caso é já do foro da cirurgia.
No caso de distensão muscular, devem fazer-se alguns dias de repouso, acompanhados de analgésicos, anti-inflamatórios e massagem suave para, posteriormente, se fazerem agentes físicos pelo calor e exercícios. As distensões mais frequentes são as dos músculos da coxa, do ombro e da região dorso lombar.
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As tendinites e miosites são inflamações quer dos tendões quer dos músculos e resultam de excesso de trabalho desses músculos ou, por vezes, de traumatismos, muitas vezes, de repetição ao nível dos tendões.
Tratam-se com repouso, na fase aguda e anti-inflamatórios, de forma geral, ou mesmo com infiltrações locais, seguidas de tratamento de fisioterapia pelo calor, particularmente, ondas curtas.
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A luxação é a perda de contacto entre duas superfícies articulares e resulta, regra geral, de um traumatismo bastante violento ao nível da articulação, podendo ou não ser acompanhada de fracturas. As luxações são extremamente dolorosas.



A mais frequente é, sem dúvida, a do ombro que depois de luxado, se desloca para baixo e para diante, não conseguindo o doente encostar o cotovelo ao tronco, ficando com o ombro rectilíneo (em cruzeta) e não arredondado como o do lado oposto.
 A sua redução imediata é fácil para um profissional de acção médica que normalmente procede do seguinte modo: com o doente deitado de costas, pega-lhe no membro luxado ao nível do punho, coloca o seu pé na axila e puxa pelo antebraço na direcção dos pés do doente. Sente um ressalto e o ombro fica igual ao do lado oposto. Deve-se, em seguida, imobilizar esta articulação durante três semanas, prendendo o braço contra o tronco e passando ligaduras à volta que enrolam o tórax, o braço e o antebraço que se encontra flectido a 90º.
Deve, em seguida, o doente dirigir-se a um centro hospitalar para ser radiografado, a fim de se constatar da eficácia da redução ou se há concomitantemente alguma fractura, pois estes casos têm de ser tratados por médicos traumatologistas.
A luxação do cotovelo é mais rara e de mais difícil redução, pelo que se deve  limitar a imobilizar com uma tala que desce desde a axila aos extremos dos metacarpos da mão, colocando o cotovelo flectido a cerca de 90º, procedendo, de seguida, ao envio do doente com urgência para um centro hospitalar, para que a luxação seja reduzida.
Se as dores forem muito violentas, pode ser ministrado um analgésico.
As luxações dos dedos reduzem-se fazendo tracção no sentido distal. A luxação coxofemoral é ainda mais rara, resultando de violento traumatismo e necessita, para a sua redução, quase sempre, de anestesia geral.
Muitas vezes, as luxações só se reduzem após anestesia e relaxamento muscular, pois a dor desperta uma contracção muscular reflexa que a nossa força não consegue superar.
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As fracturas, resultam de traumatismos, mais ou menos violentos, e há uma hipótese de continuidade na estrutura óssea, podendo haver ou não desvio dos topos.  Implicam sempre a imobilização e têm de ser observadas pelo médico especialista, pois, em muitos casos, necessitam de manipulações ou mesmo de tratamento cirúrgico.
Como norma geral, ao imobilizar-se uma fractura, deve imobilizar-se a articulação acima e abaixo do local fracturado para evitar qualquer movimento.
A imobilização provisória pode ser feita com talas de madeira, de chapa, etc., ou ainda, com folhas de ligaduras gessadas.
As fracturas das costelas tratam-se, fazendo o chamado enfaixamento torácico que consiste em passar uma ligadura bem apertada à volta do tórax.
A fractura da clavícula resulta quase sempre de quedas, em que se bate de lado com o ombro no chão. Imobiliza-se com uma ligadura que, passando por baixo das axilas e se vai cruzando atrás.
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As lesões meniscais resultam de movimentos bruscos e para além dos limites normais de torção do fémur sobre a tíbia que se encontra através do pé bem fixado ao chão. Há uma dor brusca e nas horas seguintes, o joelho começa a inchar ocorrendo dores e dificuldade de movimentação, sobretudo, da extensão total.
Deve aplicar-se gelo localmente, medicação geral com anti-inflamatórios, ligadura elástica, de seguida, o doente terá de ir a um médico especialista, pois, regra geral, este tipo de lesão requer tratamento cirúrgico.
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As feridas, muitas vezes superficiais, devem ser desinfectadas e feito o penso adequado. Se forem profundas, pode ser necessário suturá-las. A vacina anti-tetânica é aconselhável.




segunda-feira, 29 de junho de 2020

A MULHER DO SAMURAI

Um onna-bugeisha era um tipo de mulher guerreira que pertencia à classe alta do Japão. Muitas esposas, viúvas, filhas, responderam ao chamamento do dever e envolveram-se em várias batalhas, geralmente ao lado de homens samurai. Eram membros da classe bushi (guerreiro) no Japão feudal e foram treinadas no uso de armas para proteger a sua casa, família e honra em tempos de guerra. As mulheres samurai também representaram uma divergência com o papel de "dona de casa “tradicional da mulher japonesa. Foram muitas vezes erroneamente referidos como samurai do sexo feminino, embora esta seja uma simplificação exagerada. Onna bugeisha eram mulheres muito importantes no Japão antigo. Ícones importantes como foi a Imperatriz Jingu , que veio a ter um impacto significativo sobre o Japão. É interessante notar que mesmo sendo ferozes guerreiras vestiam sempre quimonos luxuosos de seda fina e coloridos, estavam sempre maquilhadas e com os cabelos devidamente penteados. Havia todo um cuidado para que não deixassem de lado as suas qualidades femininas.


Muito antes do surgimento do famoso samurai de classe, lutadores japoneses foram altamente treinados para empunhar uma espada e lança. As mulheres aprenderam a utilizar naginata, kaiken, e da arte de tantojutsu na batalha. Essa formação assegurava a proteção em comunidades que não tinham lutadores masculinos. Mais tarde a conhecida Imperatriz Jingu (c. 169-269 dC), utilizou as suas habilidades para inspirar a mudança económica e social do Japão. Foi reconhecida como a lendária bugeisha onna que liderou a invasão da Coreia, em 200 dC, depois do seu marido Imperador Chuai , ter morrido em batalha. De acordo com a lenda, ela milagrosamente teve uma vitória para o Japão derrubando a Coreia sem derramar uma gota de sangue. Apesar das controvérsias que cercam a sua existência e as suas realizações, era um exemplo do bugeisha onna na sua totalidade. Anos depois de sua morte, Jingu foi capaz de transcender as estruturas sócio-económicas que foram incutidos no Japão. Em 1881, a Imperatriz Jingū tornou-se a primeira mulher a ser destacada na imprensa japonesa.

Hangaku e Tomoe Gozen foram as mais destacadas mulheres a usar suas naginatas com a destreza de um bushi, outro termo usado para designar samurai. 

Durante os períodos Heian e Kamakura , as mulheres que se destacaram no campo de batalha eram a exceção e não a regra. Ideais japoneses da feminilidade, muitas das mulheres tiveram grande impotência, em conflitos no papel de guerreira. Mulheres samurais, eram, ainda assim pioneiras neste papel, e algumas até mesmo passaram a liderar seus próprios clãs.

"o homem e a mulher não devem ser mais que uma só carne" diz o livro Bushido, o código do samurai. Assim sendo, a viúva de um Samurai tornar-se-ia ela mesmo uma praticante da arte de ser um soldado da aristocracia.



domingo, 21 de junho de 2020

JUSTIÇA SAMURAI


Todos os homens e mulheres eram considerados responsáveis pelos seus atos, primeiramente em relação à sua família. Um chefe de família tinha o direito de impor castigo sobre a sua família e servidores, não podendo, contudo aplicá-lo em público.
O samurai obedecia na aplicação da justiça aos preceitos estabelecidos pelo Kamakura Bakufu, sobretudo contidos no Joei Shikimoku e no Einin-Tokusei-rei (1297 D.C.), ou seja, a lei da Benevolência ou ao ato de Graça da Era Einin.
Quando um samurai cometia um grave delito no início dos tempos do regime feudal, não havia pena de morte, então o samurai cometia voluntariamente o ‘sepukku’, mas já no século XVII, formalizou-se a pena de morte por meio do ‘harakiri’.
Após essas épocas o samurai era geralmente punido por meio do exílio numa província longínqua, o que equivalia a transferir os seus direitos e propriedades a um herdeiro. Ou ainda confiscar  metade das suas terras, ou bani-lo para fora do seu domínio, isso no caso de adultério. Os samurais não tinham direito de apelação, dependendo do julgamento e pena a que fossem submetidos.




JARDINS JAPONESES




O jardim japonês tem como característica a beleza e a harmonia da natureza. Quem aprecia a tranquilidade e sonha ter um espaço para contemplação, meditação e relaxamento, terá de construir um jardim japonês.

Um jardim japonês requer cuidados especiais. Dependendo da escolha da planta, é recomendável ter muita atenção com a poda e a adubação do solo. Cada planta tem as suas características próprias e os seus ciclos de crescimento. Caso não se tenha o tempo necessário para cuidar do jardim, o ideal é ser escolhido espécies que requerem uma manutenção reduzida.


Plantas e elementos do Jardim japonês

Os elementos de um jardim japonês tem sempre um significado e uma função maior a cumprir. Não é diferente com as plantas e arbustos, alguns tem até significado sagrado.
 Principais plantas de um jardim japonês:

Pinheiro japonês

O pinheiro negro japonês é uma espécie sagrada e clássica de árvore para se plantar no jardim. São resistentes a condições mais extremas, mesmo em solos com poucos nutrientes. Por se tratar de uma espécie de bonsai, requer cuidados como a rega, poda e a adubação.


Bonsai

O bonsai é uma réplica de um árvore em miniatura geralmente plantada num vaso. Porque o crescimento, o padrão e as características em proporções são muito menores que as reaias, ele é considerado uma obra de arte.
Existem diversas espécies de Bonsai para se utilizar num jardim e cada um deles requer cuidados específicos. Deve ser escolhido o que melhor se adapta ao espaço existente.

Bambu

Seja na forma de fonte, como vedação de proteção ou fazendo parte do visual, o bambu continua muito presente na maioria dos jardins japoneses, pois é uma espécie muito presente no Japão. Além disso a bambu é leve e de fácil manuseio.

Bordô japonês

O bordô japonês é uma planta nativa da região da China, Coreia do Sul e Japão. Por ser uma planta de regiões temperadas, cresce melhor na região Sul . O bordô pode ter mais de uma cor e o mais utilizado é o que tem folhas vermelhas.


Kusamono

Kusamono quer dizer literalmente “aquela relva”, são pequenas plantinhas que são utilizadas para acompanhar um bonsai. Encontramos o Kusamono em muitos jardins japoneses.


Água

Ter um espaço dedicado para a água é uma ótima maneira para valorizar o jardim japonês. Presente geralmente em lagos com carpas, riachos e cascatas nos templos japoneses. A água também confere um som terapêutico e relaxante ao jardim.

Pontes

As pontes são ótimas para ligar duas extremidades de um jardim com rio ou lago, além de aproximar os visitantes da água. Está presente em muitos jardins deste tipo, mas pode ser utilizada mesmo sem água.



Jardim de pedras Japonês

As pedras são elementos essenciais no jardim japonês e podem conter vários significados. São associadas com o conhecimento e o sentido de longevidade ou eternidade. A escolha das pedras leva em consideração o seu tamanho, textura da superfície e outras características. Uma das tarefas mais difíceis na montagem do jardim é fazer a escolha certa das pedras para criar um ambiente harmonioso. As pedras grandes não são fixadas diretamente sob a terra. São enterradas e somente uma parte delas aparece à superfície.
Os caminhos de pedra ajudam a conduzir os visitantes a paisagens determinadas e são essenciais na contemplação do jardim. Por isto os detalhes são tão importantes. A luminosidade natural do ambiente também deve ser estudada, isto porque as pedras podem refletir a luz e alterar o aspecto visual do jardim durante o dia.

Lanternas

Quase todos os jardins japoneses tem uma ou mais lanternas. São geralmente esculpidas em pedra ou feitas de madeira e podem ajudar na iluminação do jardim, principalmente durante a noite.


Jardim japonês pequeno

No Japão, é muito comum ter espaços limitados e as suas construções são adaptadas a esta condição. Por isto, muitos jardins são feitos para se adequar a um espaço pequeno. Apesar disso, pode-se criar soluções interessantes e utilizar alguma técnica de miniaturização.
O desenho e a escolha dos materiais são essenciais para montar um jardim harmonioso.

CASAMENTO SAMURAI

Regra geral o casamento era arranjado pelos pais, com o consentimento silencioso dos jovens. Mas, também não se descartava a hipótese dos próprios jovens encontrarem os seus pretendentes. Na maioria dos casos segundo os velhos costumes, o encontro dos noivos eram confiados  a um (uma) intermediário(a).
Nas famílias dos samurais, a monogamia tornou-se regra, mas no caso de esterilidade da mulher, o marido tinha o direito de ter uma “segunda esposa” (como na aristocracia), pertencente à mesma classe ou de casta inferior.
Mas depois no século XV, esse costume acabou, no caso do casal não ter filhos e assim sendo não possuir herdeiros, recorria-se ao processo de ‘yôshi’ (adoção) de um parente ou de um genro.
Como norma geral o casamento constituía assunto estritamente familiar e realizava-se dentro dos limites de uma mesma classe.
Por vezes, os interesses políticos rompiam as barreiras dos laços familiares, transformando o matrimonio num assunto de estado.
Na aristocracia existiu um caso interessante, o caso da família Fujiwara, que com a afinalidade de manter a hegemonia da família nas altas posições junto á corte, casou as suas filhas com herdeiros do trono e outros membros da família imperial.
De modo semelhante, chefes de clãs samurais promoviam políticas de alianças por meio do casamento, dando as suas filhas em matrimónio a senhores vizinhos ou outras pessoas influentes.
A esposa de um samurai
Na classe samurai, mesmo não tendo uma autoridade absoluta, a mulher ocupava uma posição importante na família. Quase sempre dispunha de um controle total das finanças familiares, comandando os criados e cuidando da educação dos filhos e filhas (sob orientação do marido).
Comandavam também a cozinha e a costura de todos os membros da família. Tinham a importante missão de incutir na mente das crianças, os ideais da classe samurais, que eram, não ter medo diante da morte, piedade filial, obediência e lealdade absoluta ao senhor, e também os princípios fundamentais do budismo e confucionismo.
Com todas essas responsabilidades, a vida de esposa de um samurai não era nada invejável. Com muita frequência, o samurai estava ausente, prestando serviço militar ao seu senhor,  em tempo de guerra a mulher do samurai  era forçada a defender o seu lar de ataques inimigos.
Nessas ocasiões de perigo para a família, não era difícil a mulher combater ao lado do marido, usando de preferência a ‘narigada’ (alabarda), arma que aprendiam a manejar desde cedo.
Mesmo não tendo o refinamento das damas da nobreza, pela qual os samurais nutriam certo desprezo, a mulher samurai possuía conhecimentos dos clássicos japoneses e sabia compor versos na língua de Yamato, ou seja, no japonês puro, usando ‘kana’.
As crónicas de guerra, como o ‘Azuma Kagami’, contam-nos que esposas de samurais lutavam na defesa dos seus lares, empunhando alabarda, atirando com arco ou até acompanhando os seus maridos nos campos de batalha. Essas mulheres demonstravam muita coragem ao enfrentarem o perigo sem medo.
Sem perder a feminilidade essas esposas, cuidavam da sua aparência vestiam-se com cuidado, gostavam de manter a pele clara, usando batom e pintando os dentes de preto (tingir os dentes de preto era hábito de todas as mulheres casadas), arrancavam as sobrancelhas e cuidavam com muito carinho os seus longos cabelos escuros.