sábado, 21 de novembro de 2020

FLORES DE AMEIXOEIRA – O SEU SIMBOLISMO NO JAPÃO

 

Quando pensamos na primavera no Japão, lembramos do sakurá, mas há outra flor de origem chinesa que também simboliza a estação e desempenha um papel especial na cultura japonesa. São as flores de ameixoeira, que florescem entre os meses de fevereiro e março.

Devido à sua beleza singela e delicada, as flores de ameixoeira são muito retratadas em diversos tipos de arte na cultura asiática como poemas, pinturas, canções, etc. Quando a ameixoeira entra em floração, os japoneses entendem que o frio do inverno está a despedir-se para dar lugar ao calor ameno da primavera.

A flor da ameixoeira, apesar da sua aparência delicada, é símbolo de persistência, obstinação, resiliência e perseverança, pois florescem ainda no inverno, quando os galhos estão repletos de neve. Por causa disso, é considerada um símbolo de ambas as estações, pois simboliza o fim de uma e o começo da outra.

Devido à sua resistência ao frio, é considerada um dos Três Amigos do Inverno, ao lado do pinheiro e do bambu. Também faz parte da lenda dos Quatro Cavalheiros, junto com a orquídea, o crisântemo e o bambu. É considerada uma das Flores das 4 estações: Orquídea (primavera), lótus (verão), crisântemo (outono) e a flor de ameixa (inverno). 

Outra característica peculiar das flores de ameixoeira, é o fato delas florescerem antes mesmo das folhas. No Japão e na China, muitas pessoas plantam uma ameixoeira no jardim, sempre voltada para a direção nordeste, pois dizem que isso traz sorte e espanta os maus espíritos. A maioria das flores da ameixoeira têm cinco pétalas e a cor pode variar do rosa clarinho, quase branco ao rosa escuro.

Existem muitas variedades com mais de cinco pétalas (Eja-Ume) e chorões (Shidare-Ume ) e ao contrário do sakura (flores de cerejeira), as flores de ameixoeira tem uma fragrância forte, porém doce. Na China, foi nomeada como “Flor Nacional”.


Entre os meses de fevereiro e março, muitos festivais das ameixoeiras (Ume Matsuri) são realizados no país, especialmente em parques públicos, santuários e templos. Em Tóquio, os festivais mais famosos são o Setagaya Ume Matsuri (Parque Hanegi) e Matsuris no KoishikawaKorakuen e santuário YushimaTenjin.

Além de simbolizar perseverança e esperança, a flor de ameixoeira também representa a beleza, a pureza e a efemeridade da vida. Segundo o confucionismo, cada uma de suas cinco pétalas representa as Cinco Bençãos Chinesas” que todos desejam ter nas suas vidas: Vida longa, Fortuna, Amor Integridade, Saúde e Morte Natural. A sua fruta, conhecida como ume, ameixa japonesa ou abricó japonês, está presente diariamente na dieta japonesa. O sabor é mais azedo, muito diferente da ameixa ocidental. É consumido especialmente em conserva (tsukemono) com o nome de umeboshi. A ameixa ume também é usada para fazer vinhos e vinagres.

Os japoneses são na generalidade muito supersticiosos e acreditam que comer umeboshi ao pequeno almoço afastará má sorte e infortúnios. Superstições à parte, o ume oferece uma série de benefícios para a saúde. É rica em vitamina C, cálcio, potássio e fibras dietéticas, e ao mesmo tempo é pobre em gordura e calorias.

É um alimento muito usado na medicina tradicional chinesa, devido ás suas propriedades antimicrobianas é eficaz para combater bactérias patogênicas que causam doenças bucais, assim como cáries dentárias. Também ajuda a prevenir e tratar doenças gastrointestinais como a gastrite e úlceras gástricas.


 


sábado, 7 de novembro de 2020

O Publico no karaté


O publico alvo do karaté, são sem dúvida os amantes das artes marciais e em especial os amantes do karaté.

 Muitas pessoas, para compreenderem ou evoluírem na arte marcial, assistem a diversos treinos e competições de karaté. Aprende-se muito a ver os outros treinar. Ficamos mais fortalecidos quando vemos bons karatecas a praticar.

Ao se assistir a uma competição deve-se tirar sempre ilações para o seu próprio treino, ensino, e modo de vida.

O Karaté não escolhe publico alvo. As pessoas é que escolhem pratica-lo. E como é uma arte muito completa, todos os gostos se sentem contemplados. Isso possibilita a um pai estar com os seus filhos a assistir ou a treinar uma mesma arte marcial, proporcionando a estes uma saudável concorrência e um progresso, unidos no mesmo contexto desportivo. 

Em muitos dojos, durante um treino pode ser visto, avô, filho e netos, treinando ou assistindo juntos. Esta é uma das razões que demonstra que não é o karaté que procura as pessoas, mas sim as pessoas que o procuram.

Para praticar o karaté, tem de ser gostar, tem de vir de dentro o interesse, pois não é nada fácil, socar e chutar repetidas vezes em todos os treinos sem haver um entendimento profundo desta arte marcial.

No início é difícil entender a razão dos treinos, só será compreensível após muito tempo de prática, mas além disso também ter interesse por assistir a muitas competições para alcançar os objetivos pretendidos dentro do dojo. Por tudo isto penso que o mais difícil não é levar uma pessoa para o karaté, mas sim mante-la a treinar.

Claro que todas as campanhas de divulgação são válidas para esclarecer e despertar a curiosidade das pessoas que guardam em si um interesse por esta arte marcial, mas talvez pela desinformação resistem a procurar um dojo para se iniciarem no karaté.

Quanto ao publico alvo, a partir do momento em que ele assimila os movimentos e tem a sua atenção voltada para o karaté, não existe idade nem sexo, existem só formas de treino para os vários objetivos.


Há quem pense que o karaté é que separa o seu publico dos seus praticantes. Seria importante, hoje em dia uma maior abertura do dojo para toda a população, não só nas competições como também nos treinos. Haveria uma maior compreensão para independentemente do estilo, do mestre que ensina, demonstrar que é uma arte muito difícil de ser praticada e que requer dedicação, esforço, vontade, disciplina e vários outros valores.

Um publico assíduo, vai entender, por exemplo que um karateca para chegar a cinto preto teve de suar muito o seu kimono, e que os que ainda não o são terão de fazer o mesmo para lá chegar. Também verá que muitos infelizmente desistem a meio caminho por ser muito difícil, possivelmente esta atitude é a seleção natural desta arte marcial.



domingo, 25 de outubro de 2020

O DOJO É PARA TODOS

 


Numa definição simples, Dojo é o local onde se treinam artes marciais japonesas.

O termo tem origem do Zen Budismo, significa lugar de iluminação, que diz respeito ao espaço, onde os monges praticavam a meditação, a concentração, a respiração, os exercícios físicos entre outros. Analisando os kanjis, ver-se-á que “DO” quer dizer caminho e “JO”, lugar, espaço. Logo, DOJO é o lugar onde se pratica o caminho de uma arte marcial.

O dojo deve ser respeitado como se fosse a casa dos praticantes. Por isso, é comum ver o praticante fazer uma reverência antes de entrar, tal como se faz nos lares japoneses.

Antes do treino, no Dojo, vem a meditação, que tem como objetivo limpar a mente e esquecer todas as preocupações e frustrações do dia a dia, entrando em harmonia com o corpo, espírito, respiração e mente.



As pessoas vêm para o karate por muitas e diferentes razões.  Alguns querem melhorar a aptidão física, coordenação e flexibilidade, outros querem aprender a defesa pessoal, equilíbrio emocional e físico, outros ainda estão á procura de uma prática marcial que inclui armas e outros treinos.

 Não se colocam limites para começar, simplesmente, á que começar. O karaté é para todos. Basta ter um espírito aberto, sem preconceito e o desejo de trabalhar com compromisso.

Os três primeiros meses dos treinos são desafiadores. Não há que ter desânimo, os instrutores de karate trabalharão durante os primeiros treinos com a tranquilidade necessária para que o iniciante tenha feito algumas das habilidades básicas, necessárias para a sua segurança.

As dores musculares aparecem, porque se usou conjuntos musculares que não sabiam que existia, isso é normal. Se o karate parece difícil no início, uma das motivações é que ele será sempre um desafio.

O que se aprende no Dojo é arte, respeito pelo próximo, pelos instrutores, colegas de treino e por si mesmo.

Numa recente pesquisa, foi possível identificar que os homens procuram o karate, e têm conhecimento da existência desta arte, através dos filmes de artes marciais, de programa de desporto e pela internet.

Para se iniciar no karate, não é necessário ter conhecimentos sobre artes marciais. O karate é mesmo para todos.

Se a procura é por uma atividade física, fortalecimento do corpo, da mente e do espírito, aliado ao excelente sistema de autodefesa, o karate é o ideal para abandonar de vez o sedentarismo.

A arte cultiva as sete virtudes do guerreiro conforme o “Bushido”, código dos samurais: justiça, valor heroico, compaixão, cortesia, honra, sinceridade e o sentido de dever e da lealdade.



O karate não pode ser encarado só como um desporto, muito menos como um divertimento. Trata-se de uma prática cujo foco é a procura interior, o desenvolvimento da perceção, para vermos melhor o mundo.

Com a prática é possível desenvolver: relaxamento, concentração, espírito da não competição, não encontrando no seu parceiro de treino, um adversário, mas sim, um amigo.

As aulas seguidas com compromisso e assiduidade, os benefícios são diversos: físico, biológico, psicológico, técnico, e espiritual, melhoramento do sistema cardiovascular, neuromuscular, metabólico, coordenação motora e flexibilidade corporal.

O praticante masculino, na maioria das vezes, procura o karate para treinar com foco na defesa pessoal, eficiência técnica e logo descobrem, que não é só isso.

 As mulheres destacam-se no karate pela facilidade da aprendizagem, principalmente devido ao conceito de não utilizar força para dominar o “adversário”, conceito esse que é mais difícil de ser compreendido pelos homens.

As mulheres são bem-vindas nas Escolas de karate, podem e devem cuidar da saúde, “recarregar a bateria”, alongar e fortalecer o corpo, combater o estresse, visando envelhecer de forma saudável, ganhar folego para enfrentar o dia a dia cada vez mais competitivo.

Na História do Japão, ao contrário do que se possa pensar, a mulher sempre teve um papel importante e fundamental, pois dentro dos Clãs, as mulheres também eram treinadas desde a infância, a partir dos 6 anos de idade. Quando os homens deixavam os castelos e vilas para irem para a guerra, a segurança dos mesmos recaía nas mãos das mulheres. Assim, não há que se falar em qualquer tipo de preconceito, o karate não é só para homens, as mulheres podem e devem pratica-lo.



As mulheres são beneficiadas fisicamente, tecnicamente e espiritualmente quando praticam karate.

Este desporto dá segurança, capacidade de defesa, controle e determinação sem “masculinizar”, muito pelo contrário, confere-lhe equilíbrio e elegância, desenvolve a postura física correta, aumenta a coordenação psicomotora.
As técnicas, movimentos e exercícios respiratórios modelam o corpo e auxiliam na regulação de vários sistemas do corpo humano, tais como, cardiovascular, respiratório, ósseo, etc., auxiliando na diminuição da ansiedade, isso é possível através dos diversos momentos do treino dedicados à concentração e à meditação. 

A prática constante ajuda a corrigir a postura lombar e aumenta a flexibilidade de todas as articulações, aumentando os níveis de confiança e é possível desenvolver habilidades inimagináveis, tendo uma melhor qualidade de vida. 


O karate pode ser iniciado a partir dos 6 anos de idade.

É importante que a criança participe de alguns treinos, sem compromisso, para entender um pouco da arte, conhecer o Sensei e os novos amigos.

Para uma maior segurança, devem procurar Dojos, onde os monitores sejam qualificados e experientes com atletas infantis. É importante que, as turmas sejam adequadas ao espaço disponível.

Salienta-se que, os ensinamentos do karate nessa fase, sejam transmitidos de forma lúdica, com brincadeiras, com apresentação de desafios, inclusão de jogos cooperativos, valorizando sempre o trabalho em grupo.

O objetivo é colaborar para a formação de um ser humano melhor, sendo que, esta Arte, é um dos caminho para a transmissão de valores. Para isso as aulas devem ser realizadas num ambiente higienizado, saudável, bem iluminado e tranquilo, a criança deve entender que o Dojo é a extensão da sua casa.

Através das aulas e com o apoio da família, os resultados positivos são inevitáveis: respeito, confiança, disciplina, coordenação motora, aperfeiçoamento das qualidades físicas, força, equilíbrio, reflexo e muitos outros são alguns dos benefícios, que serão conquistados.




segunda-feira, 12 de outubro de 2020

KARAKAMI – UMA ARTE MILENAR JAPONESA

 

A técnica de impressão Karakami  é originária da China e foi trazida para o Japão durante o período Nara. Trata-se de uma arte artesanal que ainda está muito presente nas casas japonesas nos dias de hoje.

Como sabemos, a arte com papel faz parte da cultura japonesa. Origami é um exemplo disso, assim como o Karakami, que foi muito usada por aristocratas do período Heian para escrever os seus poemas, utilizando papel, pigmentos e xilogravuras. Já no período Edo, a arte  popularizou-se, tornando-se acessível para a grande maioria da população japonesa.

Os motivos impressos são variados tais como flores de cerejeira e dragões chegando a inspirar vários artistas europeus no século XIX. Simplificando, o Karakami é como um tipo de xilogravura, onde se usa madeira de magnólia esculpida à mão com padrões tradicionais.


Os artesãos japoneses são muito perfecionistas e habilidosos. Para além disso, a paciência e a dedicação são notórias no processo de criação do Karakami, uma arte milenar que atravessou gerações e que requer muita precisão e atenção aos mínimos detalhes para que tudo fique perfeito.

Atualmente existem poucas lojas de Karakami no Japão. Na maioria das vezes os conhecimentos são transmitidos de pai para filho, como no caso de uma família em Kyoto que tem preservado esta forma de arte tradicional há quase 400 anos.

 


Como é feito o Karakami

O Karakami começou em Kyoto (antiga capital japonesa) durante o período Heian. Era usado especialmente para decorar o Shojifusuma (telas de papel para portas de correr) em casas Shinden-zukuri, pertencentes a samurais e famílias da mais alta sociedade japonesa. Essas casas eram verdadeiros palácios, com um estilo arquitetónico único.

 


A técnica usada na fabricação de Karakami pode parecer muito semelhante ao método nishiki-E (quadro brocado) ou ao método de impressão têxtil, mas na verdade são técnicas bem diferentes.

O Karakami é produzido por um método tradicional, onde artesãos criam esculturas de impressão mais profundas num tipo específico de madeira chamado Magnoliaobovata.

O tamanho do bloco de madeira varia dependendo do tamanho do papel.

Os materiais de coloração chamados de kira e gofun, são adicionados à sua superfície e o artesão cuidadosamente coloca uma folha, de cada vez, sobre a superfície de modo que o projeto, com os padrões específicos sejam copiados para o papel washi ou papel torinoko.

 


Antes disso, o papel é pintado com corante para fixar a cor de fundo, mas ao invés de se usar um pincel normal, os artesãos utilizam gaze de seda esticada sobre um anel de madeira, onde é inserido os corantes. Estes são confecionados a partir de uma mistura de mica em pó (gofun), pasta de arroz (nori) e pigmento feito com pasta de algas (funori).



O verso do papel é friccionado com a palma da mão e isso faz com que os desenhos tenham uma aparência suave, fazendo com que se pareçam com impressões e não como estampados. Outra característica marcante do Karakami  é que os pigmentos utilizados deixam um efeito de brilho aos desenhos, especialmente quando expostos à luz do ambiente.


quinta-feira, 1 de outubro de 2020

BUSHIDO 10 GRANDES PROVÉRBIOS SAMURAI

 

bushido, é um código de conduta e modo de vida para os Samurai (a classe guerreira do Japão feudal ou bushi), representam um símbolo de uma das culturas e filosofias mais importantes de todos os tempos.

Além disso, o que tornou esses guerreiros verdadeiramente especiais não foram as suas habilidades em batalha. Foram os princípios e valores que os inspiraram.

Alguns dos grandes guerreiros também foram pensadores e grandes escritores.

Foram capazes de nos descrever os aspetos mais importantes da visão do mundo que dominavam e o seu modo de vida.

Graças a esses samurais, hoje temos acesso ao conhecimento e sabedoria que eles nos deixaram.

“Não sei nada sobre superar os outros. Só sei superar-me.”

Três dos guerreiros mais famosos foram os autores de muitas citações de samurais.

São eles: Yamamoto Tusunetomo, Inazo Nitobe e Miyamoto Musashi.

PROVÉRBIOS SAMURAIS POR MIYAMOTO MUSASHI

Miyamoto Musashi do clã Tokugawa, foi considerado um herói no fim do período do Japão Feudal, onde os tradicionais métodos samurais foram lentamente substituídos por armas de fogo.

Miyamoto Musashi simbolizou o auge do bushido, no qual um homem com uma espada na mão representava o máximo da realização individual.

“Observação e percepção são duas coisas diferentes, o olho que observa é mais forte, o olho que percebe é mais fraco.”

Muitos provérbios samurais convidam-nos a apurar os sentidos e tirar o máximo proveito deles. A frase contrasta o valor de olhar com o valor de ver e realça um dos pontos focais do pensamento oriental – não se concentre em si mesmo.

“Pense pouco em si mesmo e profundamente no mundo”

Com outras palavras, não gaste muito tempo a pensar em si mesmo. Em vez disso, use essa energia para pensar sobre a realidade em que vive.

 

“Hoje é a vitória sobre si mesmo de ontem, amanhã é a sua vitória sobre homens inferiores.”

Isso significa que em cada derrota, fraqueza ou falha de si mesmo, fica preparado para derrotar outros que têm esses mesmos defeitos. 

PROVÉRBIOS DE YAMAMOTO TSUNETOMO

Yamamoto Tsunetomo foi um samurai, monge budista e filósofo japonês. O seu estudo sobre o Bushido foram compilados no Hagakure, um guia espiritual para os antigos samurais, considerado atualmente um dos mais importantes escritos sobre o pensamento nipônico da antiguidade.

“Se se iniciar sem vigor, sete em cada dez das suas ações não atingirão o objetivo”.

Nesta citação, o autor afirma sobre a importância de começar algo com força e energia. Se fizer isso, poderá manter o seu espírito com positivismo.

 

“É bom enfrentar desafios na sua juventude. Quem nunca sofreu, não formará suficientemente o seu caráter.”

Outro ditado fala sobre a importância dos desafios. Indica que os desafios e a luta para superá-los são o que promove o seu caráter.



PROVÉRBIOS POR INAZO NITOBE

Nitobe Inazo foi um economista, escritor, educador, diplomata, político e cristão durante o período Meiji. Nitobe é considerado um grande compilador de provérbios samurais.

Muitos desses ensinamentos são de origem desconhecida, mas refletem uma incrível clareza e sabedoria.

“O aspecto espiritual da bravura é evidenciado pela compostura – a presença calma da mente. Tranquilidade é coragem em repouso. ”

Este famoso provérbio fala sobre a relação entre coragem e tranquilidade.

“A disciplina da força dá-nos resistência sem reclamar, e também ensina cortesia. Exige que não arruinemos o prazer ou a serenidade dos outros através da expressão de nossa própria tristeza ou dor. ”

Outra frase fala sobre estoicismo – a capacidade de ser forte diante da dor. Ser resiliente e sempre atencioso com os outros.

“A benevolência era considerada uma virtude soberana em dois sentidos: soberana entre os múltiplos atributos de um espírito nobre e soberana porque é particularmente apropriada para a função de um guerreiro”.

A filosofia do Samurai é particularmente bem expressa nesta citação. Eles nunca separam o combate do poder da bondade e dos valores espirituais.

 

PROVÉRBIOS SAMURAIS INSPIRADOS NO BUSHIDO

No livro “O Caminho do Samurai”, há muitas afirmações sábias. Todos elas convidam-nos a encarar a vida com coragem e sempre manter a sua evolução pessoal em mente.

A evolução pessoal acontece dentro de nós e depois reflete-se no exterior.

“Quando se aconselha, primeiro discernimos se a outra pessoa está ou não disposta a aceitá-lo.”

Esta é uma recomendação valiosa. Faz-nos lembrar que não podemos ajudar ou orientar ninguém, se ele não quiser.

Com outras palavras, não dê conselhos não solicitados.

“Se embarcar num caminho desconhecido, infinitos segredos aparecerão no final.”

Este é um provérbio samurai que nos convidar a não temer coisas novas ou temer o desconhecido. Sempre que deparamos com  algo novo, aprenderemos lições valiosas.

Os samurais são retratados nos filmes como guerreiros incrivelmente habilidosos, e certamente foram.

Mas eles eram muito mais que isso. A atitude deles em relação à vida era a dos que sempre se esforçam para melhorar, e viam a espiritualidade como o caminho para alcançar a grandeza.



domingo, 13 de setembro de 2020

SIGNIFICADO DAS CORES NA CULTURA JAPONESA (1)

 

A sociedade japonesa detém tradições antigas que moldaram os japoneses durante milênios. No caso das cores, têm associações simbólicas que aparecem na arquitetura, nas artes, nos rituais japoneses e nas roupas. Atualmente, alguns dos significados tradicionais das cores, ainda se mantêm.

Há muitas cores que são consideradas auspiciosas pelos japoneses. Outras, consideram-nas importantes em casamentos e noutros rituais. Existem muitas regras intemporais associadas ás cores do quimono.

Vermelho – Aka ()

O vermelho é chamado “Aka”. A cor vermelha tem grande presença na cultura tradicional japonesa, desde a antiguidade até hoje. A referência mais imediata é a bandeira do país, chamada Hinomaru. O círculo vermelho representa o Sol. A combinação do vermelho e branco é tida como boa sorte.

As noivas vestem vermelho no dia do casamento, utilizam envelopes vermelhos com dinheiro, que são dados em ocasiões especiais como casamentos, nascimentos de bebés e celebrações de Ano Novo. A cor vermelha é considerada uma cor comemorativa.

Aproximadamente no século VI, o vermelho, já representava muito no quotidiano dos japoneses. Na época, a cor era relacionada com as doenças. Contudo, com o tempo, passou a ser associada como proteção contra doenças e maus espíritos.

O vermelho também está relacionado com a proteção das crianças. “Akachan”, palavra japonesa para bebê, é formada pelo ideograma da cor vermelha akai. No Japão, as estátuas de JizoBosatsu, são protetoras das grávidas, recém-nascidos, crianças que geralmente usam gorros, casacos ou cachecóis vermelhos.

 

Construções religiosas, tanto budistas como xintoístas, frequentemente utilizam o vermelho. Por exemplo, o torii (portal), quando de madeira, é pintado de vermelho, como sinal de proteção. No folclore japonês, figuras como o Tengu e o Daruma, são geralmente vermelhos.

Curiosamente, os personagens principais de muitos desenhos animados e séries, usam roupas ou robôs vermelhos, assim como a maioria dos logotipos de empresas japonesas.

Os japoneses usam muito o inkan, carimbo com o ideograma da família, que funciona como a assinatura em documentos. Tradicionalmente, utiliza-se uma almofada com tinta vermelha.

Durante as guerras civis japonesas (1467-1568), o vermelho era usado pelos samurais como símbolo de força e poder na batalha. Foi também usado como maquiagem no Japão muito antes do batom se tornar popular o cártamo era usado como base para os batons.

A louça de barro mais antiga do país (Jomon) e outros utensílios de madeira feitos na mesma época, são pintados com uma laca chamada ‘sekishitsu’. Há muitos tons tradicionais de vermelho no Japão: Shuiiro (vermelhão), akaneiro (vermelho mais intenso), enji (vermelho escuro), karakurenai (vermelho) e Hiiro (cor vemelha muito viva) estão entre eles.

Branco – Shiro ()

Branco tem sido uma cor auspiciosa no Japão durante a maior parte de sua história. Branco representa a pureza e a limpeza na sociedade japonesa tradicional, e é visto como uma cor abençoada. Por causa da sua natureza sagrada, o branco é a cor tradicional de eventos felizes como casamento e nascimento, além de aparecer na bandeira japonesa.

Vermelho e Branco Kouhaku/紅白

 A combinação de vermelho e branco (Kouhaku) é um símbolo para ocasiões especiais ou felizes. As longas cortinas com listras vermelhas e brancas são penduradas em receções de casamento. Mizuhiki, (cordas de papel cerimoniais) nas cores vermelho e branco são usados ​​como ornamentos para casamentos e outras ocasiões importantes.

“Kouhakumanjuu” (pares de bolos de arroz cozido no vapor recheado com feijão doce (azuki) muitas vezes são oferecidos como presentes em casamentos, formaturas e outros eventos comemorativos. O “Hinomaru bento” que se caracteriza por arroz branco com um umeboshi no centro, assemelhando-se à bandeira japonesa.

Preto – Kuro ()

 O preto é chamado kuro em japonês. Tradicionalmente, o preto representa mau agouro, morte, luto, destruição, medo e tristeza. Ornamentos em preto (kuro) e branco (Shiro) são geralmente usadas em funerais.

Por outro lado, o preto também tem sido tradicionalmente uma cor que representa a formalidade e a elegância e especialmente influenciada pela crescente popularidade das concepções ocidentais de eventos blacktie.

O uso mais antigo da cor preta na cultura japonesa foi a tatuagem. Nos tempos antigos, alguns pescadores tinham o hábito de tatuar grandes pássaros ou peixes para se proteger do mal. A partir do período Nara, as tatuagens seriam usadas para marcar criminosos como punição, e desde então as tatuagens, passaram a ser associadas a gângsteres japoneses.

O preto também era usado para maquilhagem desde os tempos antigos. Era usado para pintar sobrancelhas como em muitos outros países, mas o Japão também tinha um costume muito estranho chamado O-haguro onde especialmente as mulheres tingiam os dentes de preto.

O preto também é uma cor importante nas artes japonesas, como a caligrafia e especialmente através do sumi-e, onde o pintor usa apenas tinta preta para fazer belas pinturas.


SIGNIFICADO DAS CORES NA CULTURA JAPONESA (2)

 


Azul – Ao () ou Índigo Ai ()

 Azul também é uma cor que representa a pureza e a limpeza na cultura japonesa tradicional, em grande parte por causa das vastas extensões de água azul que rodeia as ilhas japonesas. Como tal, azul também representa frieza, calma e estabilidade.

Além disso, o azul é considerado uma cor feminina, e assim, em conjunto com a associação com a pureza e limpeza, o azul é muitas vezes uma opção de cor para roupas escolhida por mulheres jovens para mostrar a sua pureza. Como é uma cor tradicional japonesa, tons de azul são usados ​​em quimonos para representar as estações e expressões de moda.

Muitos trabalhadores de escritório usam diferentes tons de azul, enquanto os estudantes universitários vestem peças de roupa nesse tom para entrevistas de emprego.

Já o índigo, é considerado o “azul do Japão”, feito a partir de um corante natural retirado de folhas fermentadas da planta índigo misturada com água. Não era restrito a aristocratas como aconteceu com outras cores. No período Edo (1603 a 1868), todos os tipos de pessoas, comuns a samurais, costumavam usar roupas tingidas de índigo.

Quando os estrangeiros foram autorizados a entrar no Japão durante o período Meiji (1868 a 1912) ficaram surpresos por ver o azul índigo em toda parte do país! Quimono, roupa de cama, toalhas de mão, etc. O povo japonês costumava usá-lo para tudo.

Não foi apenas por causa da moda, mas as roupas tingidas de índigo também têm três benefícios: a fibra torna-se mais forte depois que o índigo morre; tem um efeito repelente de insetos e um efeito protetor UV. Hoje em dia essa cor ainda é muito usada no Japão.

Verde – Midori ()

 O verde é a cor da fertilidade e do crescimento na cultura tradicional japonesa. Como a cor da natureza, a palavra japonesa para verde, midori, também é a palavra usada para vegetação. Além disso, a cor verde representa energia, juventude e vitalidade.

O verde também pode representar a eternidade, uma vez que as árvores perenes nunca perdem as suas folhas ou param de crescer. Trazer a cor verde para a decoração da casa é visto como se estivéssemos adicionando a natureza para dentro dela.

Além disso, no Japão existe uma data especial, Midori-no-hi (Dia do Verde) no dia 4 de maio, durante o Golden Week. É o dia de celebrar a natureza. As famílias costumam passear ou participar de eventos destinados a esse dia em Parques e Jardins públicos.

O verde também é muito popular nas roupas, pois traz a sensação de frescura. Chá, especialmente matcha e chá verde são ambos de cor verde. Após a preparação as folhas de chá são verdes também. O chá é muito importante na cultura japonesa.

Roxo – Murasaki ()

 O roxo é chamado murasaki em japonês. Durante muito tempo no Japão, a generalidade das pessoas, estavam proibidas de usar roupas roxas. A cor roxa raramente era vista dada a dificuldade em a conseguir e por isso o seu preço era elevado. Cor obtida da shigusa que apresentava alguma dificuldade no seu cultivo.

Por este motivo, essa cor, era usada apenas por funcionários superiores e a família Imperial. Quando o budismo chegou ao Japão, os monges que tinham um alto nível de virtude também podiam usar roxo. Em espetáculos de Noh, roxo e branco são frequentemente usados ​​para os figurinos do imperador ou aristocracia japonesa.

No período Heian (794-1185), a cor púrpura passou a ser associada às glicínias. Foi neste período que os funcionários de Fujiwara implementaram um governo de regência. Fuji significa flores de glicínias em japonês, a cor roxa tornou-se sinônimo da classe dominante novamente.

 

Durante o período Edo (1603-1868), a família governante era Tokugawa e o seu símbolo continha a flor de malva, de modo que a púrpura permaneceu associada à nobreza por razões semelhantes.

Porém, o roxo ficou na moda durante o período Edo. As pessoas comuns eram proibidas de usar cores vivas, de modo que as roupas costumavam ter tons de castanho. Na época, os atores do kabuki eram líderes da moda. DanjuroIchikawa usava uma faixa roxa que se tornou na peça mais vendida e assim a cor tornou-se muito popular entre os cidadãos Edo.