sexta-feira, 23 de junho de 2017

IKEBANA – O CAMINHO DAS FLORES


O nome original do Ikebana era “Ka-Do”, “O caminho das flores”.

Este caminho, filosoficamente falando, envolve a viagem metafísica e espiritual que é a vida, até descobrirmos quem somos, razão pela qual o estudo do “Ka-Do” continua por toda a vida.
A arte floral baseada no amor à natureza, imbuída de um simbolismo altamente elaborado, procurando realçar a beleza e harmonia das flores, folhas e galhos
. Inicialmente, foi executada e compreendida apenas por monges, cujos segredos de execução eram guardados nos templos. A sua aprendizagem fazia-se por observação, a uma certa distância do mestre. O arranjo tatebana, composto apenas por um ramo principal (flor em pé), é a primeira composição conhecida como tal e destinava-se apenas a determinados rituais religiosos.
Com o nascer da primeira escola "Ikebono" (eremita junto ao lago), no século XVI, a sua filosofia foi-se gradualmente desenvolvendo até chegar à primeira metade do século XVII, quando, pelas mãos do mestre da Escola Ikebono, Senko II, se atingiu o complicado e monumental estilo Rikka, que simboliza toda a natureza.
Em sua oposição, temos o estilo nagerie que, pela sua espontaneidade e pelo facto de não requerer técnicas tão difíceis, permitiu que a Ikebana fosse utilizada diariamente.
É no período da guerra civil secular do Japão medieval, que se aperfeiçoa como uma forma de arte popular.
O decorrer dos séculos, dos costumes e do ambiente de vida, reflete-se na evolução dos estilos e no aparecimento de novas escolas, no qual o século XVIII é pródigo. Em consequência, o complicado estilo Rikka vai simplificando-se até chegar aos três ramos principais que são uma forma da indivisível Trindade do Universo.


As regras estabelecidas por uma escola não se aplicam, necessariamente, aos ensinamentos das outras; as diferenças de opinião são tão numerosas quanto o número de escolas de arranjos florais existentes, que hoje se calcula serem à volta de 3.000, não obstante os princípios básicos da Arte serem cuidadosamente preservados.
Para os seguidores da Ikebana, o período mais apreciado foi o período Muromachi, do final do século XIV ao final do século XVI, quando as pessoas viviam livremente, e as suas ideias em relação à vida eram individualistas e variadas. Foi uma época em que se acentuou o ensino do naturalismo.

Com o aparecimento do estilo "moribana", por Unshin Ohara, fundador da Escola Ohara, nos finais do século XIX, (que até certo ponto mostra a influência do contacto com o mundo ocidental e suas flores) acentua-se a tendência para a expressão natural que procura reproduzir, em miniatura, o aspeto de uma paisagem ou jardim (arranjo feito num recipiente baixo), embora mantendo as linhas filosóficas – O Céu, o Homem, a Terra.
Já no século XX, mais precisamente em 1927, vamos encontrar um novo e forte movimento criado por Sofu Teshigahara, fundador da Escola Sogetsu, o qual compara a Ikebana da sua Escola a uma escultura e defende que a sua Ikebana não é uma decoração, mas uma arte.


A Ikebana de hoje, também conhecida por Ikebana avant-garde acompanha o mesmo movimento ocidental. É mais um movimento de artes plásticas, cujas ideias defendem que a Ikebana deve tomar uma forma surrealista; e, assim, os artistas começam a criar obras originais totalmente abstratas.
A arte moderna e a Ikebana moderna têm raízes diferentes, mas cruzam-se. O fenómeno é visto como sendo o mesmo, coexistindo na sociedade contemporânea. Analisando sob um ponto de vista internacional, pode-se dizer que é um cruzamento de formas entre o Ocidente e o Oriente.
Atualmente, a arte Ikebana pode ser encontrada em diversos ambientes, tais como: lobbies de hotéis, teatros, exposições, restaurantes, etc.
Os japoneses entendem que uma coisa é boa e bela quando é “furyu”, algo que proporciona paz e refúgio contra a agitação da vida.
O Ikebana é um desses refúgios: é furyu, uma arte pura e nada comercial.



Eis aqui as palavras de um mestre de Ikebana:

“O homem e as plantas são mortais e mutáveis; o significado e a essência do arranjo floral são eternos”.

“Deve-se procurar a forma exterior a partir do interior”.

“Não tem importância o material empregue; o mero pensamento reto conduz à perfeição. Oferece o

teu sacrifício tendo isto presente”.

“A beleza unida à virtude é poderosa”.

“A beleza em si não conduz a nada; ela só aperfeiçoa em combinação com o verdadeiro sentimento”.

“O adequado manejo das flores refina a personalidade”.

“Dirige a tua casa com quietude interior, auto controle e justiça”.

“Não sejas negligente nem no lar nem na profissão”.

“Cultiva a amizade com sinceridade e sentimentos puros”.



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