segunda-feira, 22 de julho de 2019

TIPOS DE INKAN – CARIMBO JAPONÊS


O inkan chamado popularmente como hanko, tem origem na Mesopotâmia há mais de 5.000 anos e é usado nos países do leste asiático, incluindo o Japão. É um tipo de carimbo usado no lugar da assinatura.

Esse é um dos primeiros hábitos que chamam a atenção dos estrangeiros que chegam para viver no arquipélago japonês, afinal é um item essencial para se tirar o visto de permanência de um visitante, o gaikokujin toorokusho. Aliás, o inkan é usado para tudo, desde legalizar documentos e contratos, abrir contas bancárias, casar-se ou fazer algo bem mais simples como inscrever-se num ginásio.


Tipos de Inkan

O inkan usado pelas empresas é um pouco diferente dos usados pelas pessoas. É maior e tem um formato quadrado. Já para os cidadãos, o carimbo costuma ter uma base arredondada com o sobrenome do portador escrito em kanji. Para os que não têm descendência oriental, pode-se adquirir uma versão feita sob medida com o sobrenome entalhado todo em katakana.

Os japoneses costumam usar 3 tipos de inkan:

Hanko mitomein : Usa-se em documentos de menor importância.
Hanko ginkoin : Usado em bancos e operações financeiras.
Hanko jitsuin : É o inkan registrado num organismo publico e funciona como a assinatura da firma reconhecida.




Para os estrangeiros que querem fazer o registo do carimbo, é necessário irem até ao organismo criado para o efeito  da cidade onde moram e apresentarem o hanko e o comprovativo de registo de estrangeiro (gaikokujin toorokusho). Esse processo pode demorar alguns dias até se receber um certificado chamado Inkan shoomeisho.


Os hankos geralmente são feitos de chifre de boi, marfim ou de madeira nobre. Há os de plástico que podem ser encontrados até em lojas de hyakuen. Existem estojo de proteção próprios para os rankos, alguns já vem até com a tinta.



segunda-feira, 15 de julho de 2019

A LENDA DA ALIMENTAÇÃO DE OKINAWA (Parte II )


Há uma lenda que conta que um antigo imperador chinês enviou uma missão de exploradores para encontrar Horai, uma ilha celestial que se acreditava existir no oceano, com ordens de encontrarem o elixir da vida.
A missão de 3.000 pessoas, no entanto, nunca voltou.  Poderia "a ilha da vida eterna" ter sido hoje Okinawa? A ideia não é exagerada, de acordo com um estudioso de saúde.
Okinawa, a província mais meridional do Japão, com 1,3 milhão de habitantes, tem a população de idosos mais saudável e duradoura de todo o país. De acordo com os últimos dados disponíveis, havia 365 pessoas com 100 anos ou mais em Okinawa em 2010.
Enquanto muitos estudiosos sugerem que o clima quente de Okinawa e a mentalidade despreocupada estão por detrás do longo tempo de vida da população, Makoto Suzuki, chefe do Centro de Pesquisa de Ciência da Longevidade de Okinawa, afirma que a alimentação é o que faz de Okinawa a ilha da vida longa.
Segundo Suzuki, ex-professor de medicina da Universidade de Ryukyus, muitos ingredientes indígenas usados na culinária de Okinawa são ricos em substâncias nutritivas.

Um vegetal local famoso pelo seu alto teor nutricional é o melão amargo, que é conhecido como “goya” no dialeto local. Goya tem  vitamina B, C e E, que são antioxidantes e ajudam a combater substâncias químicas nocivas, que contribuem para o processo de envelhecimento. 


Os habitantes locais também consomem muito tofu e algumas estatísticas classificam Okinawa como a principal região do país no consumo do produto de soja.
Embora os benefícios para a saúde do tofu sejam reconhecidos internacionalmente, a variedade de Okinawa, é maior que a do continente, é especialmente rica numa proteína que acredita-se impulsionar o sistema imunológico.

O tofu de Okinawa contém uma grande quantidade de fitoestrógeno que ajuda a retardar o envelhecimento, mas também é eficaz na prevenção de cancro.


Os okinawanos há muito consomem esses e outros alimentos saudáveis em pratos chamados “champuru”, um prato familiar tradicional e amplamente popular feito com ingredientes fritos.

Diz-se que a palavra champuru, que significa “misturar”, data do século XV, quando Okinawa, na época um reino independente, prosperou no comércio com os países asiáticos vizinhos.


Os moradores locais dizem que um prato champuru feito com goya e tofu é indispensável para sobreviver aos verões quentes da região.
De acordo com Yaeko Nishio, um especialista local em alimentos, o champuru era originalmente um simples prato frito de tofu e vegetais condimentados, temperados com sal. Mais tarde, passou a incluir carne de porco, Spam, uma espécie de presunto processado temperado e atum em lata.
Okinawa teve uma relação próxima com a China no século XIV. Depois de ser anexada pelo Japão em 1889, a ilha ficou sob o domínio dos Estados Unidos em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1972, foi devolvido ao Japão.
Penso que o champuru,  simboliza a força e a generosidade dos habitantes de Okinawa ao abraçar as influências externas e usá-las nas suas vidas.
O prato foi recentemente reconhecido no Japão e é frequentemente usado como um atalho para descrever a cultura de Okinawa.
Acredita-se que comer carne de porco, que não é menos dominante na culinária de Okinawa, tenha começado no final do século XIV, quando o gado foi importado da China. 
Embora o alto consumo de carne suína geralmente aumente os problemas de saúde relacionados à gordura,  os habitantes de Okinawa evitam o problema fervendo a carne antes de cozinhar, o que reduz consideravelmente o conteúdo de gordura.
O outro aspecto saudável da dieta de Okinawa é a sua menor ingestão de sal, que é de 10,8 gramas, contra a média nacional de 12,8 gramas.
Em vez de depender de sal ou molho de soja, os moradores locais usam a água utilizada na cozedura da carne de porco . 
Além disso, os habitantes de Okinawa não têm o hábito de comer pikles salgados muito populares no norte do Japão,
 porque o clima quente torna os legumes frescos disponíveis o ano todo. O mesmo pode ser dito do peixe seco, que é preservado com grandes quantidades de sal.
Para os habitantes de Okinawa, a dieta e a medicina são inseparáveis, um conceito refletido na frase local “nuchi-gusui”. Os locais usam nuchi-gusui em vez de “gochisoo-sama” para dar graças nas suas refeições.
“Dizem que (a refeição) era nuchi-gusui, que significa 'remédio da vida". É uma atitude entre os habitantes locais em relação à comida. Nós comemos para apoiar o nosso corpo ”, diz-se em Okinawa.



quarta-feira, 10 de julho de 2019

ESCULTURAS DE PALHA DE ARROZ NO JAPÃO


O outono é a época da colheita do arroz no Japão. Todos os anos, os agricultores garantem que as sobras da palha de arroz, conhecida como “wara”, não sejam desperdiçadas. Desde alimentar gado até fertilizar o solo, a palha do arroz é usada para diferentes propósitos.


Além disso, a palha do arroz também é utilizada para criar arte, especialmente na província de Niigata para a sua festa anula o "Wara Art Festival", onde são expostas esculturas gigantes feitas com as sobras da palha e cascas de arroz após a colheita.


As esculturas são exibidas no Uwasekigata Park, localizado na cidade de Nishikan atraindo muitos visitantes. As esculturas são feitas artesanalmente por moradores e estudantes da Universidade de Arte Musashino, ficam expostas cerca de dois meses.
Trata-se de uma arte muito trabalhosa, que utiliza armações com varas de madeira. Cada escultura, em média, leva uma semana para  ser concluída. A região de Niigata é conhecida por ter os maiores campos de arroz do Japão. Durante o Festival, que teve início em 2008, são realizadas apresentações folclóricas, barracas de comidas, bebidas e produtos locais.












domingo, 30 de junho de 2019

CASAS JAPONESAS


Os japoneses vivem em diversos tipos de casas ou em grandes blocos de apartamentos (danchi).
As casas tradicionais japonesas, onde são utilizados materiais naturais, como a madeira, o barro, o teto coberto de telhas, ainda podem ser encontradas nas regiões mais rurais do Japão.
Antes da Segunda Guerra Mundial, muitas delas eram cobertas com palha de arroz, o que, hoje em dia, raramente acontece, tornando-se difícil encontrá-las.


O Verão, no Japão, é quente e húmido, razão pela qual as casas são construídas de modo a permitir a circulação de brisas no seu interior. As portas são de correr e as janelas de madeira e papel, podendo ser abertas para permitir a circulação do ar ou fechadas para o impedir. Também, podem ser removidas de modo a permitir que duas salas pequenas se transformem numa maior.
Geralmente a entrada (genkan), os corredores e a cozinha têm piso com chão de madeira. As restantes assoalhadas são cobertas por esteiras de junco tecida (tatami).



Normalmente quando se entra numa casa japonesa, deve-se tirar os sapatos e calçar chinelos. mas sempre que se entra numa sala com tatami no chão, tem de tirar os chinelos e deixá-los no corredor.
À noite, as pessoas deitam-se em colchões estofados com colchas acolchoadas (futon). Pela manhã, eles são recolhidos, dobrados e colocados em armários especiais.


Assim, a mesma divisão pode ser usada, como quarto de dormir, sala de estar ou de jantar.
Às almofadas achatadas e quadradas onde se sentam é dado o nome de zabuton. Um meio tradicional e prático de se manterem aquecidos, nos dias mais frios, é o uso de mesas baixas, que possuem um sistema eléctrico especial na sua parte de baixo (kotatsu). A mesma é coberta em toda a sua extensão por um cobertor e por cima é colocado o tampo da mesa. Posicionando as pernas debaixo do cobertor, o corpo aquece, obtendo assim uma óptima sensação de conforto.



Fora das grandes cidades, a casa japonesa possui uma casa de banho (o-furo). Esta divisão é feita apenas para os banhos. A banheira é quadrada e funda, depois de cheia com água fria, é aquecida por um aquecedor especial.

 

Antes de entrarem na banheira, lavam-se com sabão, sentados num banquinho ao lado, após se enxaguarem, entram na água quente da banheira.
Toda a família usa a mesma água e as crianças frequentemente tomam banho com os pais. A hora do banho é uma relaxante e agradável hora do dia.



domingo, 16 de junho de 2019

A LENDA DA ALIMENTAÇÃO DE OKINAWA ( Parte I )


A ilha de Okinawa é conhecida em todo o mundo pelos seus cidadãos saudáveis e longa expectativa de vida. O raciocínio por trás disso é relacionado ao clima ameno,  terra fertil e pessoas simpáticas, assim como os ingredientes que são cultivados na ilha e a maneira como são cozidos.
Em Okinawa, há a frase “nuchi gusui”, que literalmente significa “o remédio da vida” e é usada para eventos que curam a mente e o corpo, como o amor de uma mãe ou comida deliciosa, bondade humana e paisagens surpreendentes. As pessoas de Okinawa são especialmente conscientes da comida e da culinária, que são consideradas “kusui-mun” ou coisas que podem tornar-se remédios. Há uma forte crença de que uma dieta equilibrada leva a um corpo saudável, com uma dieta saudável compartilhando os mesmos princípios que os medicamentos tradicionais. É por isso que há a frase “kusui naibitan”, que  significa “se tornar remédio” e é dito depois das refeições como uma maneira de dar graças.

A dieta tradicional de Okinawa há muito tempo consiste em batatas como o alimento básico, muitos vegetais verdes, soja, tofu, peixe, algas marinhas e carne de porco suficiente para criar uma dieta extremamente equilibrada. A carne de porco é pré-cozida e a espuma é removida junto com qualquer gordura que flutue até o topo. Isso remove cerca de metade do teor de gordura, tirando o colesterol e aumentando a absorção de colágeno, o que é bom para manter uma saudável pele.  A culinária de Okinawa é um dos remédios da vida que sustenta a longevidade.


“Nuchi gusui”, conforme ilustrado em cima,  também passou a significar a incorporação de vários ingredientes nas refeições que são adaptadas à condição física e aos sintomas das pessoas. Hoje em dia, os efeitos dos alimentos são cada vez mais comprovados pela ciência e muitos produtos processados também estão com muita procura.

Aqui estão alguns dos principais alimentos saudáveis de Okinawa que têm um valor nutricional extremamente alto, tornando-os úteis para se manter saudável.  


Goya é tipo muito amargo de vegetais de cabaça que é rico em vitamina C, o que significa que é eficaz para aliviar a fadiga do calor do verão e exaustão. Como também é rico em beta-caroteno, ferro e potássio, é eficaz na prevenção de doenças relacionadas com o estilo de vida, eliminando o inchaço e constipação,  é eficaz para o cuidado da pele e prevenir o envelhecimento. "Goya Chanpuru" é um tipo famoso de prato frito. 


 Mozuku é um tipo de alga com uma textura viscosa. Diminui a taxa de absorção de açúcar e colesterol, é eficaz na prevenção de doenças do estilo de vida, como o endurecimento das artérias, derrames cerebrais, ataques cardíacos e obesidade. Pode ser comido frito como tempura ou adicionado em vinagre.


Shekwasha é uma fruta cítrica que é rica em ácido cítrico e também contém uma quantidade elevada do nutrientes e tem poderes antioxidantes que podem ajudar a prevenir o envelhecimento. Além de ser o ingrediente secreto para uma variedade de pratos, também é usado como matéria-prima em cosméticos para cuidados com a pele.


Uji, ou cana-de-açúcar, é a cultura mais abundante na província de Okinawa. Açúcar mascavado é feito fervendo o suco espremido da cana de açúcar, é rico em cálcio e todos os tipos de minerais. Além disso, o material que sobra do suco da cana-de-açúcar é conhecido como “bagaço” e, como contém muitas fibras alimentares, a sua forma em pó ganhou recentemente popularidade como um produto eficaz para problemas intestinais.










domingo, 9 de junho de 2019

AS MULHERES E A DEFESA PESSOAL


A violência contra as mulheres  constitui uma das principais formas de violação dos seus direitos humanos, subtraindo-lhe os seus direitos à vida, à saúde e à integridade física. Ela é estruturante da desigualdade de género.  Não é apenas no âmbito doméstico que as mulheres são expostas à violência, esta pode atingi-las em diferentes locais.


Conhecer e praticar algumas técnicas de defesa pessoal, poderá ser vital, para garantir a sua segurança, particularmente, numa área citadina problemática. É igualmente importante saber quais são as zonas do corpo onde é eficaz atacar se necessário.

Há várias técnicas que, apesar de simples, são eficientes:

Quando atacada de lado, poderá utilizar os cotovelos, atingindo o atacante na testa, queixo ou nariz deixando-o vulnerável. Assim, poderá ataca-lo no estômago ou tórax.


Quando atacada por trás, poderá projectar a cabeça para trás, atingindo o agressor no rosto, particularmente no nariz. Sentindo-se à vontade, baixar-se e agarrar-lhe numa das pernas deixando-o desequilibrado.


Quando atacada de frente, conseguindo agarrar-lhe uma das mãos, pressionar os dedos, obrigando o pulso no sentido contrário à articulação, causando-lhe uma dor bastante dolorosa. Poderá também atacar a zona da maçã-de-adão no homem, zona bastante sensível. O pontapé nos genitais é, seguramente, outra forma eficaz de neutralizar temporariamente o agressor.


Poderá sempre considerar a hipótese de trazer na mala um spray, que lhe permite neutralizar temporariamente o atacante, permitindo-lhe chegar a um lugar seguro e avisar as autoridades.



quinta-feira, 30 de maio de 2019

KOKESHI BONECAS MADEIRA JAPONESAS


As Kokeshi  (こけし/子消し) são umas bonecas de madeira muito populares no japão e começaram a ser fabricadas no século XIX, por artesãos japoneses que resolveram usar as sobras de madeira para fazer algo simples, porém criativo e 100% artesanal.
A forma de arte das kokeshi representa o princípio criativo da beleza e da arte através da simplicidade. São constituídas apenas por um tronco simples, com detalhes florais em vermelho, preto ou amarelo e na parte superior, uma esfera representando a cabeça com expressões faciais, tudo pintado à mão.



Uma característica das bonecas kokeshi é a ausência de braços ou pernas. A parte inferior é marcada com a assinatura do artista e por último é passado uma camada de cera para dar o acabamento.
Simbolismo das bonecas Kokeshi
Surgiram inicialmente na região de onsens (águas termais) para serem vendidas aos visitantes e turistas. Há uma lenda que diz que a cabeça redonda e seu corpo comprido era usada como ferramenta de massagem aos visitantes dos spas. Outros acreditam que as bonecas tenham conotação sexual devido ao seu corpo fálico.



Durante o Periodo Edo , eram consideradas as guardiãs das crianças e detentoras das suas almas. Ter uma kokeshi significava que ela ajudaria a manter os seus filhos saudáveis, mas também longe do mal. Mas o seu simbolismo mais conhecido é em relação à amizade, pois dentro da boneca há um orifício que serve para se colocar uma mensagem, antes de entrega-la de presente a alguém.



A origem do nome “Kokeshi” é controversa. Uma das hipóteses seria de que possa ser uma combinação de “pequeno” (ko) e “boneca de madeira” (keshi). Porém o fonema também pode significar “criança” (Ko) e “apagar” ou “eliminar” (“keshi”), o que significaria então “eliminar ou apagar criança”.



Devido a isso, muitos acreditam que as bonecas Kokeshi representavam as almas dos bébés que eram assassinados ao nascer, embora não haja evidências da ligação entre a boneca e esse fato. Dizem até que ao girar a cabeça da boneca, o som é semelhante ao choro de um bebé.
Mas a origem do nome que parece mais viável seria a boneca estar relacionada ao fruto da papoila. Sendo assim, “Ko” seria criança e “keshi” refere-se também ao nome desse fruto. Não há como negar que existe uma grande semelhança entre os dois.